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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O Hóspede de Drácula

Título: O Hóspede de Drácula
Autor: Bram Stoker
Tradutor: Paulo Ramos

Opinião: O Hóspede de Drácula é um pequeno conto de Bram Stoker, o brilhante autor de Drácula, um dos livros de terror e de vampiros mais conhecido de todos os tempos.

Chamou-me a atenção pois para além de ter Bram Stoker como autor e de ter "Drácula" no título, custava apenas 1 euro. Moedinhas para que vos quero!

E é mesmo pequenino. Lê-se em 15 ou 20 minutos com toda a atenção necessária e sem se perder nada da história, nem do seu ambiente negro e subtilmente opressivo.

A história é sobre um homem inglês que vai de visita à Transilvânia, numa noite chamada Walpurgis nacht. Apesar dos avisos de toda a gente que encontra acerca da referida noite, o inglês decide ir passear na mesma, em direcção a uma vila amaldiçoada, acabando por se abrigar de um nevão, num cemitério. É aí que descobre, acidentalmente, uma mulher dentro de um túmulo, com um aspecto demasiado saudável para estar morta, que desata a gritar aquando da queda de um relâmpago que destrói o túmulo e põe o inglês inconsciente. Ao recuperar os sentidos, sente algo quente e pesado em cima do peito, e lambidelas no pescoço, que descobre serem de um lobo gigantesco que é assustado pela chegada de um grupo de homens a cavalo. De regresso ao hotel, é informado que foi salvo por nada mais do que o anfitrião que o esperava, Drácula, que enviou um telegrama aos homens que o encontraram.

Como se pode ver, a ligação com Drácula é ténue, sendo mais uma história de vampiros com um fim curioso e um ambiente aterrorizante, descrito com poucas mas certeiras palavras. Gostei, como não podia deixar de ser, graças a ser uma história de terror como já raramente aparecem, escrita pela mão de um mestre do género, e que é sempre um prazer voltar a encontrar.

sábado, 2 de outubro de 2010

Contos de Terror e Arrepios

Será que poderia haver um livro melhor para acabar esta por vezes fabulosa, por vezes hedionda, sempre mal amanhada colecção? Duvido.

Bram Stoker já me tinha conquistado, com a sua obra-prima, Drácula, mas estes 4 pequenos contos só lhe ficam atrás na extensão.

A escrita não é bem a mesma, ainda que o género da história seja o mesmo. Em Drácula, a história é apresentada como uma série de cartas e diários, enquanto que aqui se trata de narrativa normal. Mas isso não prejudica em nada, já que a essência se mantém: histórias de terror, arrepiantes (o título do livro assenta-lhe bem), por vezes sufocantes, sempre magistrais.

Os meus preferidos, no entanto, foram "A Casa do Juiz" e "A Índia". No primeiro, um jovem em procura de sossego aluga uma casa antiga num sítio praticamente deserto, para poder estudar em paz, para os exames. Apesar de avisado para não se mudar para lá, o jovem, fazendo uso da irreverência típica da juventude, faz ouvidos moucos, muda-se, e só tarde demais se apercebe que devia ter seguido o conselho. Este conto evolui lentamente (dentro dos possíveis, para a sua pequena extensão), mas demonstra um ambiente absolutamente sufocante, transmitido de forma magistral.

No segundo, "A Índia", um casal recém-casado parte em lua-de-mel com um amigo (sim, é estranho, e a explicação que é dada não me convenceu), amigo esse que é um autêntico contador de histórias, com a ligeira mania da intelectualidade, e que aprende, da pior maneira, como as mães são perigosas, sejam de que espécie forem. Este conto é muito provavelmente um dos melhores contos que já li em toda a minha vida, especialmente se tiver em conta o seu tamanho. Nem Poe, nem Lovecraft, conseguiram fazer tanto, com tão pouco, ainda que tenham estilos diferentes do deste autor.

Este está aconselhado, apesar da má (como em horrível) edição. Acredito que mesmo não gostando da qualidade do suporte físico, os contos vos vão deixar rendidos!

domingo, 14 de junho de 2009

Drácula


Um verdadeiro clássico, a história do Conde Drácula, é-nos contada através de um conjunto de diários: o de Jonathan Harker, o de Mina (e mais tarde Mina Harker), o de Lucy Westenra e o do Dr. Seward, bem como um memorando ocasional de Van Helsing.

A história começa com Jonathan Harker de visita ao castelo do Conde, na Transilvânia, para tratar dos assuntos relativos à casa em Londres que Drácula quer comprar. Acaba por ser sequestrado, recebendo uma visita das 3 noivas de Drácula, e quase enlouquecendo ao se aperceber do que lhe estava a acontecer. Mas consegue escapar, embora fique muito doente.

Depois são-nos apresentadas um conjunto de cartas, trocadas entre Mina e Lucy, até que decidem encontrar-se. Durante a estadia juntas, Lucy é mordida pelo Conde (embora essa só lá cheguemos indirectamente, pois nunca se diz mesmo isso no livro). Ora, Lucy tinha 3 pretendentes, o Dr. Seward, dirigente de um manicómio (e 1 daqueles cujo diário lemos), Quincey Morris, o americano imperturbável, e Arthur Godalming, o filho de um Lorde. Lucy decide-se por Arthur, e os outros dois ficam a ver navios, embora lhe jurem amizade. O mais interessante? Os 3 conhecem-se e são bons amigos. Ora, quando Lucy é mordida, e uma qualquer doença estranha se abate sobre ela, o Dr. Seward chama o seu antigo professor e amigo, Van Helsing, uma mente brilhante em vários campos da ciência.

Como eu fiquei feliz quando li o nome de Van Helsing. Sempre ouvira falar deste poderoso caçador de vampiros e demónios na generalidade, e sempre o admirara enquanto personagem. Como eu fiquei desiludido quando o seu cabelo e bigode brancos, que repousavam na sua cara já sulcada de algumas rugas, são descritos. O tenebroso caçador de vampiros holandês... é velho. Enfim, adiante: Van Helsing chega à conclusão que Lucy foi mordida por um vampiro, mas não a consegue salvar da morte, e então, com a ajuda dos 3 pretendentes de Lucy, mata a "falsa-Lucy" como lhe chamam no livro, devolvendo a alma da pobre Lucy ao descanso.

Mais tarde, quando tudo parecia já bem, descobre-se que o Conde pretende fazer de Londres a sua nova residência, e a partir daí criar uma nova hoste de mortos-vivos. Por isso, todos juntos, iniciam o trabalho de purificar os esconderijos do Conde, para que ele não possa lá voltar, usando o manicómio do Dr. Seward como base de operações. Azar dos azares, nesse mesmo manicómio está instalado um louco chamado Renfield, que é uma espécie de servo de Drácula, e que a certa altura o convida para entrar no manicómio. Uma vez lá dentro, o Conde tem liberdade de movimentos, e por isso morde Mina, e infecta-a com o seu sangue. Ou seja, quando Mina morrer, irá tornar-se um vampiro, e mesmo antes de morrer, os traços do vampirismo irão começar a surgir nela.

Decididos a impedir que isso aconteça, o grupo parte todo para a Transilvânia, para matar de vez o Conde, e depois de matarem também as suas 3 noivas, conseguem reduzir o Conde a pó. Durante a batalha com os ciganos que transportavam o Conde, Quincey é ferido, acabando mesmo por morrer. Uns anos mais tarde, já com Arthur e o Dr. Seward casados, e Mina e Jonathan já com um filho, vemos que embora esse filho reúna os nomes do pequeno grupo, todos lhe chamam Quincey. E assim acaba o livro, com Van Helsing a dizer que não precisam de provas para dizer que aquilo tudo aconteceu, apenas precisavam de o saber, e que o mundo estava livre daquele mal.

Um livro brilhante, enciclopédico, onde aprendemos muito sobre os vampiros em geral, e que está escrito à boa maneira antiga inglesa, de uma maneira muito formal, com todos os contactos entre personagens muito formais. É um livro um bocado... chato às vezes, pois como está escrito sobre a forma de diários, às vezes há pouca acção, e muito quotidiano, mas no geral, está muito bom.