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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Regresso às Origens (Marvel Salvat #1)


Argumento: J. Michael Straczynski
Arte: John Romita Jr.
Tradução: Paulo Furtado


Opinião: A minha primeira leitura nesta fantástica colecção da Salvat! E logo a começar com uma boa história do Homem-Aranha, que altera a sua origem de forma retroactiva, ainda que introduzindo alguns elementos que não me agradaram por aí além. 

Pelo menos estão pensados e a coisa foi bem feita. Os diálogos estão bons, especialmente as constantes piadas do próprio homem aranha, igual a ele próprio e uma das personagens com uma representação mais consistente nos comics. Acho que nunca vi ninguém a falhar a essência da sua personalidade. Falharem o Peter Parker é o pão nosso de cada dia, mas o Homem-Aranha? Sempre impecável!

O vilão, Morlun, é intenso e consegue ser assustador, e a introdução de Ezekiel, mais um tipo com poderes de aranhiço, levanta mais questões do que respostas, e embora um dos elementos de que eu não tenha gostado muito tenha sido, exactamente, a história que este conta (e que explica a perseguição que Morlun faz aos heróis aranha), a verdade é que toda a conversa dos totems me deixou muito, mas muito curioso.

Por outro lado, é de destacar o próprio Ezekiel, que merecia as suas próprias histórias... tanto potencial num herói que se recusa a ser herói!

No final, a tia May descobre que o sobrinho querido é o homem aranha, e só acho mal que eu vá ter de esperar tanto para descobrir as consequências. Mas é um óptimo começo para a colecção!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Contos de Fadas Marvel (Universo Marvel #15)


Argumento: C.B.Cebulski, Mindy Owens
Arte: Ricardo Tércio, Niko Henrichon, Nick Dragotta, Mike Allred, Laura Allred, João Lemos, Christina Strain, Nuno Plati
Tradução: Filipe Faria, Paulo Furtado, João Miguel Lameiras, Paulo Moreira

Opinião: Sem dúvida um dos volumes mais interessantes desta colecção, inicialmente não me tinha chamado a atenção. É que há cerca de um ano li Marvel Fairy Tales, e achava que isto ia ser apenas uma repetição. E se tinha ficado a gostar da arte e das adaptações, os diálogos tinham deixado a desejar.

Felizmente este livro não só tem histórias que esse outro livro não tinha, como os diálogos são consideravelmente melhor, não sei se pela tradução ou se pela nova leitura.

A verdade é que desta vez gostei mesmo muito de ler estes contos de fadas super-heróificados, que são adaptações soberbas das histórias originais. Há pequenos pormenores espalhados por todo o lado que me deixaram de boca aberta, como a sombra do Capitão América/Peter Pan servir de escudo, ou inverter os papéis da Cinderela para que seja o Homem-Aranha o protagonista. Fantástico.

É uma pena que não venha aqui aquela fantástica fábula africana retratada como a amizade entre Magneto e o Professor X - sem dúvida a melhor parte de Marvel Fairy Tales - mas para compensar inclui outra fábula africana, desta vez com o Homem-Aranha como protagonista, com a melhor arte do conjunto e uma história mágica e simplesmente fantástica!

Este volume é também notável por incluir arte de muitos portugueses, pessoalmente convidados por Cebulski, um confesso admirador dos nossos artistas. É fácil ficar impressionado com estes desenhadores lusos, e também é fácil de perceber a dificuldade em entrar no mercado dos super-heróis, se bem que não me espantaria de os ver a fazer coisas como Sandman, só para dar um exemplo.

Bem vistas as coisas, este é um livro de que não me arrependo de ter comprado, apesar da minha hesitação inicial, e que inclusivamente aconselho a toda a gente: se o que querem são boas histórias, boas adaptações, boa arte, e ficar a conhecer bons artistas portugueses, este é um dos livros que devem, definitivamente, ler.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A Última Caçada de Kraven (Universo Marvel #3)


Argumento: J.M.DeMatteis
Arte: Mike Zeck, Bob McLeod, Janet Jackson, Bob Sharen
Tradução: Paulo Furtado


Opinião: O que dizer? Acho que mais dia menos dia tenho que repensar a minha posição relativamente ao Homem-Aranha. Nunca foi dos meus super-heróis favoritos, mas ultimamente tenho lido coisas muito interessantes dele, incluindo este A Última Caçada de Kraven, que é muito bom.

O principal antagonista nem sequer me era conhecido. Kraven, o Caçador. À primeira vista parece um ricalhaço meio doido, que quando se fartou de, enfim, ser rico, decidiu pôr uma tanga à là Tarzan e causar problemas na cidade.

Sinceramente, não duvido que até esta história tenha sido exactamente essa a sua caracterização. Os comics mais antigos não são propriamente conhecidos pela densidade das suas personagens. Mas este arco narrativo ainda se torna mais interessante por isso mesmo: pega num vilão mais do que secundário (dois, até!) e dá-lhe um excelente tratamento e uma excelente história.

O enredo, esse, é bastante parecido com a temporada mais recente do Homem-Aranha. E isso é o único motivo para não me render por completo a esta personagem: as histórias que li que me deram uma visão diferente são essencialmente a mesma. Esta é bastante superior, no entanto!

Os temas mais pesados são aqui retratados com cuidado, mas sem medos. Suicídio, culpa, loucura, tudo compete nas páginas deste livro. O próprio Homem-Aranha, ainda que tecnicamente ausente durante a maior parte do livro, passa uns dias complicados em termos mentais, e o argumento leva-nos numa viagem fascinante ao interior da sua mente e aos seus - pesadelos? - sonhos.

Kraven, por outro lado, é glorioso do princípio ao fim. A personagem carrega uma gravidade e um carisma que se vê em falta em muitos vilões modernos um pouco por todo o lado. Os seus monólogos são das passagens mais interessantes do livro, e no fim o seu plano revela-se tão fantástico quanto triste.

É preciso destacar ainda Rattus, outro vilão menor e com todo o potencial para ser bastante ridículo, mas que é bem explorado e acaba por ter um papel muito relevante em toda a história.

Além de tudo isto, é preciso ainda dizer que há uma sensação algo... perturbadora ao longo de toda a história. A cena em que Kraven se deixa cobrir de aranhas e desata a comê-las, por exemplo, é dos momentos mais perturbadores que já vi numa BD, e eu já li muito Alan Moore e David Soares.

A arte ajuda, com aquele toquezinho clássico misturado com disposições peculiares das vinhetas e algumas sequências mais longas sem diálogos e até sem narração. Tudo junto faz deste um livro muito, muito bom.