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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Contos de Fadas Marvel (Universo Marvel #15)


Argumento: C.B.Cebulski, Mindy Owens
Arte: Ricardo Tércio, Niko Henrichon, Nick Dragotta, Mike Allred, Laura Allred, João Lemos, Christina Strain, Nuno Plati
Tradução: Filipe Faria, Paulo Furtado, João Miguel Lameiras, Paulo Moreira

Opinião: Sem dúvida um dos volumes mais interessantes desta colecção, inicialmente não me tinha chamado a atenção. É que há cerca de um ano li Marvel Fairy Tales, e achava que isto ia ser apenas uma repetição. E se tinha ficado a gostar da arte e das adaptações, os diálogos tinham deixado a desejar.

Felizmente este livro não só tem histórias que esse outro livro não tinha, como os diálogos são consideravelmente melhor, não sei se pela tradução ou se pela nova leitura.

A verdade é que desta vez gostei mesmo muito de ler estes contos de fadas super-heróificados, que são adaptações soberbas das histórias originais. Há pequenos pormenores espalhados por todo o lado que me deixaram de boca aberta, como a sombra do Capitão América/Peter Pan servir de escudo, ou inverter os papéis da Cinderela para que seja o Homem-Aranha o protagonista. Fantástico.

É uma pena que não venha aqui aquela fantástica fábula africana retratada como a amizade entre Magneto e o Professor X - sem dúvida a melhor parte de Marvel Fairy Tales - mas para compensar inclui outra fábula africana, desta vez com o Homem-Aranha como protagonista, com a melhor arte do conjunto e uma história mágica e simplesmente fantástica!

Este volume é também notável por incluir arte de muitos portugueses, pessoalmente convidados por Cebulski, um confesso admirador dos nossos artistas. É fácil ficar impressionado com estes desenhadores lusos, e também é fácil de perceber a dificuldade em entrar no mercado dos super-heróis, se bem que não me espantaria de os ver a fazer coisas como Sandman, só para dar um exemplo.

Bem vistas as coisas, este é um livro de que não me arrependo de ter comprado, apesar da minha hesitação inicial, e que inclusivamente aconselho a toda a gente: se o que querem são boas histórias, boas adaptações, boa arte, e ficar a conhecer bons artistas portugueses, este é um dos livros que devem, definitivamente, ler.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

X-Infernus


Argumento: C.B.Cebulski, Craig Kyle, Chris Yost, Jeph York
Arte: David Aja, Frank D'Armata, Dave Sharpe, Niko Henrichon, David Yardin, John Rauch, Giuseppe Camuncoli, Jesse Delperdang, Marte Gracia, Rodolfo Muraguchi, David Finch, Danny Miki, Jason Keith, Steve Firchow


Opinião: Tenho acompanhado com interesse a história de Magik/Magia na revista mensal dos X-Men, que começou a sair por cá este ano. Foi uma sorte encontrar este livro ao preço da chuva, por estar usado!

Confesso que tinha algumas expectativas irrealistas. A personagem é interessante, e a faceta mística da Marvel também, assim como é misteriosa e diferente daquilo que é o universo de super-heróis do costume. Ver isso misturado com os X-Men, o meu grupo favorito, bem, a coisa prometia.

Infelizmente, e embora o livro tenha bons momentos, as expectativas caem por terra por causa do carácter fragmentado da história, que não é bem uma história mas sim um conjunto de pequenas histórias que tentam contar uma história mais geral, com princípio meio e fim.

Sim, todos os momentos em que Magik aparece na sua forma demoníaco são fantásticos, e as reviravoltas  mantiveram-me interessado, como a intensa carga emocional, mas ficou a faltar qualquer coisa. Uma história mais coerente e mais focada, talvez.

A busca pelos fragmentos da sua alma, enfrentando demónios e seres poderosos, não desaponta, mas soa estranha, por não saber muito bem os detalhes e por não conhecer bem o suficiente todas as personagens. Acabei por me interessar muito mais na relação de Magik com o seu irmão, Colossus, do que nessa demanda que devia ser o aspecto principal do livro.

Pelo menos a arte não desaponta, durante a maior parte do tempo. Uma das histórias tem até uma arte muito boa, portanto não me queixo. Apenas gostava, lá está, que tudo fizesse mais sentido e isto fosse realmente um livro com princípio, meio e fim, e não uma espécie de antologia...

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Marvel Fairy Tales

Título: Marvel Fairy Tales

Argumento: C.B. Cebulski
Arte: Claire Wendling, João M.P. Lemos, Nuno Plati, Takeshi Miyazawa, Ricardo Tércio Vinagre Guimarães, Kyle Baker


Opinião: Já tinha ouvido falar deste livro, mas a única opinião que conhecia era uma não muito favorável. No entanto o conceito sempre me fascinou, e decidi trazê-lo da biblioteca um dia destes.

A premissa é simples: recontar fairy tales utilizando super-heróis da Marvel como personagens. Há um Vision a fazer de Pinóquio, um Capitão América como Peter Pan, enfim, vocês percebem a ideia.

O resultado é bastante satisfatório! Ainda há mais volumes, mas as histórias recolhidas neste são bastante agradáveis: Pinóquio, Capuchinho Vermelho, O Feiticeiro de Oz, Alice no País das Maravilhas, Peter Pan, e uma fábula africana deliciosamente adaptada.

O conceito funciona porque as histórias de super heróis são uma espécie de contos de fadas ultramodernos. O Capitão América encaixa bem no papel de galante Príncipe Encantado, por exemplo, e quantas histórias não conhecem vocês de super heróis a salvar as suas donzelas?

Mas Cebulski conseguiu tornar o livro muito mais interessante graças a pequenos twists neste tipo de pensamento. Usar o Capitão América para fazer de Peter Pan, o eterno rapazinho, irresponsável, ainda que leal, e infantil por escolha própria, por exemplo. Ou ter o Thor, na adaptação de O Feiticeiro de Oz, a ser o espantalho, mas em busca de força e não de inteligência.

São pequenos detalhes que aproveitam muito bem as características específicas destes heróis, permitindo uma junção ao universo dos contos de fadas que funciona bastante bem.

E no meio destas histórias, a que achei melhor foi a última, a tal adaptação de uma fábula africana, com Magneto no papel de águia e Professor X no papel de tartaruga. A forma como a história está contada é absolutamente soberba, recriando com exactidão a complexa relação entre estas duas personagens mais que conhecidas, com o formato de fábula a assentar que nem uma luva.

Os diálogos de uma forma geral podiam ser melhores, mas a arte é boa, e nada prejudica o maravilhoso conceito que faz deste um óptimo livro.