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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A Essência do Medo (Universo Marvel #14)


Argumento: Matt Fraction
Arte: Stuart Immonen, Laura Martín, Wade von Grawbadger, Larry Molinar, Matt Milla, Dexter Vines, Justin Ponsor
Tradução: Filipe Faria

Opinião: Comecei a ler este livro sem grande confiança. A contracapa diz que é o seguimento de Cerco, que diz na contracapa que é o seguimento de Invasão Secreta, que diz na contracapa que é o seguimento de Dinastia M e Civil War.

O primeiro é fraco, o segundo é fraquíssimo, o terceira fica aquém, e o quarto tem fama de ser um dos piores eventos da história da Marvel. Este A Essência do Medo é o culminar das histórias que se desenvolveram ao longo desses eventos todos, portanto... Bem, não esperava grande coisa.

E é por isso que vou já dizer que fiquei surpreendido. Pela positiva! Estão a ver Marvel? Um bocadinho de mitologia só vos faz é bem! Neste caso a nórdica, com uma presença ainda mais acentuada do que anteriormente, da melhor forma possível!

Em vez de andarem à porrada, os heróis decidem ajudar-se uns aos outros, e tudo prometia correr bem, com Tony Stark a prometer ajudar na reconstrução de Asgard. Mas a filha do Red Skull, estranhamente chamada Sin, tem outros planos e desperta um antigo deus nórdico, a Serpente, irmão de Odin e que o quer destronar.

No processo converte uma série de heróis e vilões com uns martelos super poderosos - não, não é à marretada, os martelos dão poderes - nos seus arautos, e toca a causar caos e destruição.

Há heróis a morrer e a sacrificarem-se, e o Homem de Ferro a fazer uma das poucas coisas razoáveis que o vi fazer, tendo em conta o génio que é: aliar a sua tecnologia à magia de Odin para criar armas, e uma armadura para si, super-poderosas, com as quais os vilões foram derrotadíssimos, ainda que para isso alguns heróis se tenham sacrificado.

A verdade é que estas armas são espectaculares, e quem me dera que houvesse um comic dedicado a estes heróis, com estas armas. Infelizmente todos as devolvem, excepto a Red She-Hulk, claramente a pessoa mais esperta do grupo.

No meio disto tudo há de facto uma boa história, com bons diálogos, uma boa arte, e um desenrolar que não é demasiado precipitado nem demasiado lento. Não é, de todo, uma história perfeita, mas é pelo menos uma história muito boa!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Thor: Renascido (Universo Marvel #8)


Argumento: J. Michael Straczynski
Arte: Olivier Coipel, Mark Morales, Laura Martin, Paul Mounts
Tradução: Filipe Faria


Opinião: Thor e as personagens a ele associadas são das que mais gosto de ver no Universo Marvel. Directamente recortados da mitologia nórdica, acabam sempre por ser personagens um pouco atípicas, se os compararmos com os "comuns" heróis.

E sem esquecer que o Thor é dos heróis mais poderosos de sempre, sendo tecnicamente um deus e oficialmente uma espécie de alien, mas também um dos mais engraçados. A sua forma de falar shakespeariana e a permanente incompreensão das coisas simples que o rodeiam geram momentos muito engraçados, capturados na perfeição nos filmes em que aparece.

Um livro com o Thor sobe logo na minha consideração. Pode até ser uma grande desilusão, mas as expectativas já vão positivas. Dito isto, parti para a leitura sem conhecer o argumentista, algo que é bastante frequente quando pego numa BD, especialmente se for da Marvel ou da DC (são tantos!).

Não fiquei desiludido. Depois de ter acontecido qualquer coisa épica e dramática em histórias anteriores, que envolveram o Thor a sacrificar-se para interromper o ciclo a que os deuses nórdicos estavam sujeitos e que culminava no Ragnarok, o herói encontra-se preso numa espécie de limbo, de onde é de alguma forma resgatado.

Até foi bom ter lido esta história, pois relembrou-me de algo fulcral à identidade deste herói e que, infelizmente, passou ao lado dos recentes filmes da Marvel: o facto de Thor ser um alter-ego ligado a um humano. Bem, é mais complicado do que isto, mas acreditem que é interessante.

O livro tem alguns momentos verdadeiramente impressionantes, como quando Thor reclama um pedaço de terreno para re-erguer Asgard, e lhe dizem que não pode estar nesse terreno, que é propriedade privada: limita-se a pôr toda a cidadela a levitar acima do terreno. Ah! E depois passa a fazer parte da comunidade e é convidado, juntamente com o resto dos asgardianos, para as reuniões de condomínio. Duplo ah!

E sim, o resto dos asgardianos. Parece que o Ragnarok não foi assim tão final quanto isso, pois os asgardianos estão (quase) todos vivos, só que escondidos dentro de humanos que não fazem a mais pálida ideia. O que Thor faz é partir numa demanda emotiva e intensa em busca dos seus amigos.

O reencontro com o Iron Man, já depois da Guerra Civil entre heróis, e deste ter criado um clone do Thor, é dos melhores momentos. Confiante de si próprio, Tony Stark não hesita em enfrentar o seu amigo, que lhe mostra, à marretada, que já não está para brincadeiras. Que se tinha andado a conter, mas que esses dias acabaram. Relâmpagos, marteladas e enxertos de porrada sem dó nem piedade, é isso que Thor promete. E é por isso que Stark se vai embora, com o rabinho entre as pernas.

Durante todos estes acontecimentos, fica ainda bem vincada a luta que Thor tem consigo próprio, em busca da sua identidade. Dialoga com a sua parte humana e consigo próprio, tentando perceber o seu novo papel, agora que está livre das amarras do destino cíclico há tanto tempo traçado para si e para os seus.

Resumindo, é um livro interessante. A arte não me fascinou, mas reconheço que é boa. Tem detalhe, ainda que talvez lhe falte alguma expressividade. Mas é um livro que vale a pena.