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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Que as citações nos caiam em cima [37]


"Realidade ou desejo incerto, o amor é o elemento primitivo da actividade interior; é a causa, o fim e o resumo de todos os afectos humanos."


Eurico, o Presbítero
Alexandre Herculano

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Eurico, o Presbítero

Título: Eurico, o Presbítero
Autor: Alexandre Herculano


Opinião: A excelente escrita de Alexandre Herculano foi mesmo o que mais me agradou neste pequeno livro.

É que a história é apenas moderadamente interessante e está contada numa estrutura que me pareceu confusa, com cartas a alternarem com momentos de narração, sem se ligarem muito bem uns com os outros.

Depois há o problema do fervor religioso. Acho que um padre guerreiro é uma personagem extremamente interessante pela sua ambiguidade, e pelo seu conflito natural, mas o autor perdeu-se em aleluias e amens, e todas as personagens acabaram por ser diluídas.

Quer dizer, eu percebo que uma história destas, na altura em que se passa, e com o tipo de personagens que tem, só pode estar extremamente imbuída de fervor religioso. Mas passa-se o mesmo que se passou com a terceira parte da Divina Comédia: o que é de mais, enjoa.

No entanto, a personagem principal, o Eurico do título, ainda é o que está melhor caracterizado. A forma como as suas 2 facetas, o homem do clero e o guerreiro, se confrontam e complementam está bem feita, e foi do que mais em agradou.

Falta só acrescentar que volta e meia apareceram momentos agressivos e violentos que me surpreenderam e impressionaram: as várias batalhas, muito bem descritas, e a cena em que as monjas se safam de um ataque ao convento, e que foi, para mim, o momento alto do livro em termos descritivos e mestria literária.

Eurico, o Presbítero é assim um bom livro, que prima pela escrita, pela personagem principal e por ocasionais momentos bastante fortes e intensos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Dama Pé-de-Cabra


Este livro, com 2 contos deste autor português, foi um dos que me surpreendeu. Nem fazia parte daqueles que eu queria, inicialmente, trazer para casa, mas acabou por vir (já que comprei a colecção toda), e surpreendeu-me pela positiva.

Quando o comecei, nas primeiras páginas, não estava a gostar muito. A história do primeiro conto "A Dama Pé-de-Cabra", era-me vagamente familiar, não fosse ela uma conhecida lenda portuguesa, que eu decerto já tinha lido algures.

Havia ali qualquer coisa que não estava a soar bem, algo que não batia certo... E só quando pesquisei um pouco, é que percebi o que era: faltava-lhe o subtítulo, "Romance de um Jogral". Mistério resolvido. De repente, a divisão em trovas, a linguagem mais típica da época medieval, o próprio tom em que a história é contada, passaram a fazer mais sentido.

E a partir daí, foi um caso de "primeiro estranha-se, depois entranha-se", que se cimentou com o segundo conto, "A abóbada", história que apreciei bastante, sobre a construção do mosteiro da Batalha, que envolve um arquitecto, que desenhou e comandou a sua construção, desde o início, até ao momento em que cegou, e foi considerado inválido para o trabalho, pelo próprio rei, que lhe concedeu, pensava ele, descanso, ao arranjar um outro arquitecto, estrangeiro, para acabar a obra.

É um autor que eu não conhecia, e que vou, de certeza, procurar mais qualquer coisa, para ver se a impressão com que fiquei destes dois diminutos contos se mantém.

Por fim, deixem-me dizer um bocadinho mais do mesmo: a edição não presta. Acho que já o referi em quase todas as outras críticas aos livros desta colecção, mas não me canso de o dizer... Como já vi alguém dizer (não me lembro quem, desculpem), acho que preferia que os livros custassem 2 ou 3 euros, e viessem com uma melhor qualidade!