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terça-feira, 2 de março de 2010

Rainha das Trevas


Se há coisa que me apercebo depois de ter lido este livro, é de quão pouco eu sei, pois lembro-me de vários adjectivos para classificar este livro (bem como a trilogia que finaliza), mas no entanto, não me parecem nem perto de serem suficientes.

Vejamos: Não existem mais do que 2 ou 3 páginas "desperdiçadas", no sentido de conterem puramente palha, ou de informações pouco relevantes e dispensáveis. Tudo é importante, para a caracterização das personagens, para que entremos um bocado nas suas mentes, para que as percebamos melhor, e para termos uma melhor noção da história, bem como do mundo onde ela se passa.

Na minha opinião, é neste livro que conseguimos apreciar totalmente toda a saga. Tal como as Teias de visões e de feitiços descritas nos livros, em "Rainha das Trevas", assistimos a um relativamente lento, ainda que extremamente intenso, emaranhar de todos os pequenos fios que se criaram ao logo dos outros dois livros, até culminar num dos mais bem preparados clímax que já li.

Embora o final em si não seja propriamente surpreendente, o caminho até lá é verdadeiramente invulgar. Começando pelo papel dos parentes no meio de toda a história, e acabando na peça chave que Daemon se revela, embora de forma muito, muito, mas muito disfarçada.

Anne Bishop consegue, mais uma vez, e neste livro mais do que nunca, transportar-nos para um mundo muito especial (e especialmente cruel), não precisando para isso de descrições muito exaustivas, nem de grandes paragens na acção. É aliás, muitas vezes, através da acção que o ambiente é caracterizado, pois conseguimos literalmente sentir a tensão que envolvem algumas cenas mais fortes.

Dizer que este foi o meu livro favorito desta saga, é dizer pouco, mas a verdade é que o foi. Uma trilogia que vale muito a pena, e que não deixa, nunca, de ser interessante.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Herdeira das Sombras


Na continuação de "Filha do Sangue", temos mais uma amostra do maravilhoso, ainda que cruel, mundo criado por Anne Bishop. Pegando na história exactamente no ponto onde ela tinha acabado no livro anterior, temos logo indícios de que Lucivar, o guerreiro eyrieno, terá um maior destaque, o que me encheu de curiosidade e expectativa, uma vez que tinha sido esta a minha personagem favorita no livro anterior.

Mas a verdade é que ao princípio, a história parece que estagna. Os acontecimentos dão-se mais devagar, salta-se rapidamente de linha de acção em linha de acção, todas elas aparentando serem mais ou menos desconexas umas das outras, e deixam de aparecer algumas das personagens mais interessantes, como Daemon, Jaenelle e Andulvar, dando, por sua vez, lugar a uma quantidade enorme de personagens novas.

É esse, aliás, aquilo que mais critico neste livro. A quantidade de personagens novas é simplesmente assustadora, e surgem todas em catadupa, umas atrás das outras, sendo que a maior parte delas eram os amigos de Jaenelle, desde centauros, a poderosas e talentosas Rainhas, passando pelos magníficos parentes, animais que são Sangue, e usam Jóias. Confesso que houve momentos em que não sabia bem de quem se estava a falar, mas nada que não se recuperasse rapidamente.

Mas tirando isso, continua excelente, na minha opinião. Claro que teve um início que me pareceu ligeiramente mais parado, e mais confuso, mas a partir de, digamos, meio do livros, a história acelera, começam-se a ligar as diferentes linhas de acção, e chegamos a um resultado absolutamente brutal!

Este é um livro que, acima de tudo, tem uma parte final simplesmente surpreendente, e se não fosse aquela primeira parte mais parada, seria provável que ultrapassasse o primeiro livro, em termos de qualidade!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Filha do Sangue


Ouvi falar muito sobre esta autora, e sobre esta trilogia, à qual este livro dá início. Principalmente boas críticas, excelentes aliás, que me aguçaram a curiosidade, e me levaram a comprar os três livros, para os ler de seguida, seguro que não me iriam desapontar.

Mas quando comecei a ler, durante, digamos, as primeiras 200 páginas (mais de metade do livro), a verdade é que não sabia o que achar. Logo nas primeiras páginas, entra-se no ambiente, um ambiente negro, típico da chamada dark fantasy, e nota-se o carácter forte do livro, sem direito a eufemismos, ou redundâncias. Nada disso. Vai directo ao assunto, num mundo cruel, brutal e perigoso, onde o Mal espreita a cada esquina, e em todos, de uma forma ou de outra.

Passadas essas páginas, e essa sensação estranha, consegui-me decidir. O livro é espectacular. Um mundo bem construído, com particularidades interessantes, como as Jóias e os Sangue. Ao seguirmos a família SaDiablo, em todas as suas vertentes, acompanhamos personagens brilhantemente trabalhadas, desde Saetan, o Senhor Supremo do Inferno, Lucivar, o guerreiro eyrieno, e Daemon, o escravo haylliano. Cada uma destas personagens, ligadas entre si de forma ao princípio subtil, mas cada vez mais intensa, são, do meu ponto de vista, as três personagens que dão outro sabor à história.

E claro, Jaenelle. Jaenelle é o ponto central de toda a narrativa, em torno do qual giram aquelas três personagens. Se bem que Lucivar aparece pouco, mas não deixa de ter a sua importância, e foi, sinceramente, a personagem que mais me cativou, apesar da pouca visibilidade. Mas tenho esperanças que tenha uma maior importância nos próximos volumes.

É, de facto, um grande livro. A escritora consegue criar todo um ambiente onde o livro encaixa perfeitamente e, não tendo uma escrita complexa, consegue-nos deixar presos à história. Vai dando poucos detalhes, simplesmente apresenta as coisas, com naturalidade, o que nos transmite um certo à-vontade quase instantâneo com o livro, com a história.

Não é um livro para pessoas mais impressionáveis. Mas é, de certeza, um livro obrigatório para quem gosta de fantasia. Tem, pelo menos, a minha mais do que completa aprovação!