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sábado, 13 de julho de 2013

O Barril de Amontillado


Título: O Barril de Amontillado
Autor: Edgar Allan Poe
Tradutor: Alair de Oliveira Gomes

Opinião: Tenho a certeza de já ter lido este conto, bem como muitos outros de Poe, mas já foi há uns tempos e só pelo título não me lembrei de qual era este.

Só quando os tijolos começaram a ficar no sítio é que me lembrei, e mesmo assim não consegui impedir um arrepio face aos acontecimentos.

O protagonista, que narra a história, é muito provavelmente um psicopata. A forma fria e distante com que conta tudo é extraordinária e tenebrosa.

Poe era um mestre, disso ninguém pode ter dúvidas. A escrita é fantástica, a personagem principal está muito bem construída, é credível e transpira o seu aspecto psicopata. Fá-lo de forma discreta, ao princípio, mas esse sentimento que transmite vai-se intensificando com o passar da história e com o que ele vai fazendo.

Enfim, O Barril de Amontillado é um conto que acho ser bastante típico de Poe: por muito ao de leve que se comece a ler, acaba-se fascinado pelo ambiente, que Poe era muito bom a criar e a adequar à história que queria contar, e aprisionam-se pormenores na memória de forma quase primitiva.

As descrições de O poço e o pêndulo nunca me abandonaram, por exemplo, nem o que acontece no final deste conto, que é terror num dos seus expoentes máximos, se querem a minha opinião.

domingo, 1 de julho de 2012

Terrortório

Título: Terrortório
Autor: Vários

Opinião: Esta colectânea de contos prometia, com nomes como Poe, Asimov, Kafka e Lovecraft, por exemplo, ainda que apresentasse ali pelo meio uns nomes portugueses, a maior parte deles completamente desconhecidos para mim.

Ainda por cima começa bem, com um conto de Poe, simples e obviamente bem escrito, mas a partir daí, tirando os grandes nomes e algumas (poucas) surpresas nacionais, pouco se aproveitava.

Para começar, nem todos os contos são propriamente de terror, com o de Asimov e Creach a tender para o humorístico, enquanto que o de Luísa Costa Gomes é apenas uma nódoa, completamente banal e sem ponta por onde se lhe pegue.

Tirando esses defeitos e essas falhas na construção deste elenco que, volto a frisar, tem nomes excelentes que produziram contos excelentes, como seria de esperar. Imagino que o objectivo fosse como que lançar este género com tão pouca visibilidade em Portugal, e aproveitando para mostrar que a produção nacional se recomenda.

Bem, aquilo que posso dizer é que ainda bem que a sobrevivência deste género por terras lusas não dependeu deste livrito, já relativamente antigo. Se assim fosse, acho que eu ia ter muito mais dificuldades em ler Stephen King, Lovecraft, Bram Stoker, bem como em assistir à crescente popularidade de autores como David Soares.

Se isto era uma mostra do talento nacional num campo relativamente renegado da literatura, falhou redondamente. Lá está, tem contos interessantes, mas falha no geral.

Ou seja, se o tiverem por causa, não perdem nada em ler, mas não se preocupem muito em andar à procura dele.

sábado, 25 de setembro de 2010

Os Crimes da Rua Morgue

Já tinha lido que tinha sido Edgar Allan Poe a (praticamente) criar o género policial, e até mesmo a criar as suas particularidades fundamentais, mas para vos ser honesto, não estava convencido.

Não é que duvidasse da capacidade do escritor, que admiro, mas sim porque daquilo que já tinha lido dele... Bem, não o via a escrever policiais.

Mas digo-vos já, que se algum de vocês, como eu, tem dúvidas quanto a isso, leiam este livro. Bem, não este, já que (vamos lá satisfazer o Pedro) a edição não presta, e acho que no total são 5 histórias, e aqui só vêm 2.

No entanto, também não perdem muito ao lerem este. Estas 2 histórias são mais do que suficientes para ficarem rendidos, e quererem procurar o resto das histórias, além de que, se, como eu, tiverem lido mais coisas deste escritor, vão querer, mais do que nunca, tudo o que dele conseguirem encontrar. Pelo menos é o que se passa comigo.

Tanto numa como noutra história, a personagem principal é Dupin, o homem com excelentes capacidades analíticas, um intelecto acima do normal, e deduções excepcionais. Resolve ambos os casos praticamente sem sair de casa, consegue intrometer-se nos pensamentos das outras pessoas, quase como se lhes lesse as mentes, entre muitas outras coisas. Não vos soa familiar?

Pois é, não tenho dúvidas absolutamente nenhumas de que Sir Arthur Conan Doyle leu estes contos antes de criar o seu famosíssimo Sherlock Holmes. Quantas vezes não aparece, nos seus contos, o famoso detective britânico a intrometer-se nos pensamentos do seu companheiro? E a resolver imensos casos sem sair da sua poltrona?

É claro que Holmes está, na minha opinião, muito mais desenvolvido, enquanto personagem, mas é com August C. Dupin, de Poe, que o género tem os seus fundamentos. Mais do que aconselhado!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Histórias Extraordinárias


Uma colectânea de contos de um dos primeiros percursores da ficção científica, um dos maiores mestres do macabro e do terror, 'Histórias Extraordinárias' consegue ser um livro assustador. O escritor consegue causar calafrios que nos percorrem as costas pela espinha acima.

Como vem dito na contracapa, vê-se mais do que perfeitamente todo o pessimismo e a imaginação macabra do autor, quer nas histórias em si, como na própria maneira de escrever. As histórias já por si são arrepiantes, mas a maneira como estão escritas dá-lhes um outro nível de terror.

Não é, por exemplo, como H. P. Lovecraft, que mesmo sendo histórias de terror, é uma escrita até agradável, e os pormenores mais macabros eram descritos como a maior das banalidades. Não. Poe consegue escrever de tal maneira que sentimos mesmo repulsa quanto aos acontecimentos, cria mesmo uma atmosfera sombria do mais puro terror. É por isso que ele é um mestre, por esta genialidade da escrita, que ele decidiu virar para o terror. Não é que Lovecraft não seja igualmente um mestre. Também é. Mas por motivos diferentes, é um tipo de escrita diferente. Poe é muito mais sombrio, descreve muito mais pormenorizadamente as cenas mais macabras, e foca em especial os acontecimentos estranhos, enquanto que Lovecraft conta mais uma história normal, com pormenores fantásticos.

Dos contos apresentados, os meus preferidos são "A pipa de amontillado", "William Wilson", e especialmente "O Coração Delator". Neste último, a maneira como Poe descreve a loucura, ou melhor, a maneira como banaliza a loucura do protagonista, é excepcional. A história é contada na primeira pessoa, e os acontecimentos, comportamentos do protagonistas completamente loucos, são descritos quase como coisas normais. Parece que está a descrever como é que está o tempo lá fora. E é isso que o torna tão macabro.

Definitivamente um mestre, um génio, e um livro mais do que aconselhado. Ou qualquer coisa que este autor escreva!