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sábado, 15 de agosto de 2015

Presenças tangenciais

Ah, piadas matemáticas, são sempre tão... derivativas.

Há coisas na Literatura que me fascinam. Não falo apenas de uma escrita particularmente bonita, como a de Mia Couto, ou de histórias particularmente cativantes, como as Stephen King, nem sequer de livros tão próximos da perfeição que até metem medo, como muita coisa de Saramago, muita BD de Neil Gaiman e Alan Moore e O Conde de Monte Cristo. Falo de pormenores, muitas vezes técnicos, que me deixam rendido.

Por exemplo, quem ler histórias minhas rapidamente se apercebe de que gosto de narradores peculiares. É algo complicado de manipular, de um ponto de vista puramente técnico, mas que pode ter efeitos espectaculares.

Algo que cai nesta categoria é algo a que chamo presenças tangenciais. O nome é bastante auto-explicativo, mas estou a falar de personagens que são importantes, muitas vezes até fulcrais, para a história, mas que aparecem muito, ou muito de raspão. Tangencialmente.

Também não é fácil, em termos técnicos, e torna-se particularmente difícil de conseguir em termos narrativos. Como raio contar uma história em que uma personagem importante mal aparece?

Leia um dos vários livros em que isso acontece, para perceber. Que tal O Assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie, que tem ao mesmo tempo um narrador interessante e um Poirot que mal aparece que mas que resolve o mistério (a autora deve ter escrito este livro a pensar em mim)? Todo o livro se lê como uma história normal de Poirot mas com o ponto de vista retirado a Poirot e ao seu fiel companheiro, Hastings, e entregue a uma das personagens secundárias.

É espectacular, e embora o ponto forte do livro seja o narrador e a revelação final (pois é, ainda por cima tem um plot twist de fazer corar muitos plots twists, obrigado Agatha Christie), esta presença tangencial de Poirot é importante para que o livro funcione.

O mesmo se podia de muitas das histórias da saga Sandman, de Neil Gaiman, em que Morpheus e Death, que me lembre, aparecem em várias histórias como personagens meramente tangenciais, completamente de raspão, mas acabam por ter um impacto enorme, como não podia deixar de ser. O segredo aqui é a arte de contar histórias de Gaiman, mas isso redundou nessas presenças tangenciais de duas das personagens mais importantes desse universo

De uma forma menos óbvia, podemos falar do que se passa em O Conde de Monte Cristo, livro imenso no qual o Conde de Monte Cristo do título é uma personagem tangencial durante muito tempo. A história do livro é a sua vingança, a sua vida é a motivação de tudo o que acontece, e todos os acontecimentos narrados são de alguma forma relevantes para ele ou por sua causa. E no entanto passamos longas páginas sem ter notícias dele, e quando aparece, muitas vezes disfarçado e com um nome e título diferentes, tem um papel secundário para a acção. Aqui foi novamente a mestria de Dumas que possibilitou esta presença tangencial, mas não deixa de ser impressionante a forma como o fez.

Mas querem dois exemplos a sério de personagens que praticamente não aparecem mas que são as mais importantes no meio daquilo tudo? Comecemos pelo Comediante de Watchmen, então, que morre nas primeiras páginas mas que tem um grande impacto em tudo o que se segue. Foi das coisas que mais me intrigou, quando li o livro, esta capacidade de não estar lá mas influenciar tudo, e é preciso abençoar Alan Moore pela capacidade que teve de fazer isto tão bem feita na brilhante desconstrução dos super-heróis que é esse livro.

O outro exemplo é parecido, mas ainda mais extremo: em Lágrima, o mais recente livro do meu primo André, há uma personagem tão tangencial que nunca chega a aparecer no livro. Os protagonistas são o pai e a mãe dessa personagem, um miúdo que morre antes dos acontecimentos narrados no livro. Mesmo assim, esse miúdo, ou mais propriamente, a sua morte, é o tema principal do livro em redor do qual tudo se desenvolve.

Também em leituras mais recentes, há uma personagem que me cativou e que teve o azar de cair numa série de livros que achei menos bem conseguidos, por um motivo ou por outro: Gued, o Gavião do Ciclo de Terramar, de Ursula K. Le Guin. Extraordinária feiticeiro, faz uma série de coisas para lá da compreensão humana e no fim mantém-se humilde e sábio como ninguém. O primeiro livro é do seu ponto de vista, e é claramente um protagonista muito presente, assim como no terceiro livro, mas a sua presença no segundo e no quarto livro é, durante muitas páginas, tangencial. E isso só faz dele mais interessante, pois adiciona mistério a uma personagem que podia ter sido muito banal.

Mas por falar em mistério, sabem onde é que estas presenças tangenciais caem muito bem? No género do terror e em vilões de uma forma geral. Veja-se quase tudo o que Lovecraft escreveu: o medo e as sensações de horror são transmitidas não pela presença, mas pela ausência. Como o próprio Lovecraft afirma, o medo mais antigo é o do desconhecido. É por isso que nos seus escritos são as sombras que dominam, e também aquilo que se consegue ver, mas não apreender.

Aliás, muito do horror é feito exactamente assim, através do desconhecido e muitas vezes através de personagens tangenciais. Como acontecem com Misery, de Stephen King, em que o protagonista ocupa sozinho uns 80% do livro, enquanto a sua enfermeira psicótica, a impulsionadora de tudo o que acontece, aparece de vez em quando, e quase sempre de raspão. Dá-lhe um ar mais instável e não nos deixa confiar naquilo que vemos: como é que podemos ficar a conhecer uma pessoa a vê-la durante cinco minutos de cada vez?

Tenho a certeza de que existem muitos mais exemplos, mas estes são só os que me lembro claramente, de olhar para a lista de livros que já li. Acho interessante, e é algo que ainda tenho que fazer com sucesso numa das minhas histórias, mas agora que já vos apresentei o conceito e alguns exemplos, lembra-se de mais algum caso? Seja para me relembrar, ou para me dar a conhecer, agradeço!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Estantes Emprestadas [14] - Canibalismo literário (mais ou menos)


Sabem aqueles amigos que vocês têm perfeita de que são loucos? Também tenho disso. Apresento-vos a Alexandra Rolo, também conhecida por Pantapuff, dona do blog Folha em Branco e culpada frequente de se ver envolvida em vários projectos de milhentas áreas.

Um deles foi a Oficina de Escrita a que pertenço, e foi assim que a conheci. Se eu era o sanguinário do grupo, aqui a Alexandra era a minha second in command nesse departamento. Vocês nem fazem ideia. Infelizmente, já há uns tempos que ela deixou de contribuir com contos para as sessões, mas de vez em quando ainda se digna a aparecer, principalmente se houver bolo envolvido.

Tendo em conta esta descrição, eu devia ter logo percebido que me ia arrepender de a convidar para participar nas Estantes Emprestadas. Sem mais demoras, passemos à pergunta dela, e depois à minha resposta. Obrigado Alexandra! (E raios te partam!)

P.S.: Aqui fica a resposta dela, e umas palavrinhas minhas quanto a isso.

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Tu és sádico e dado a coisas com um bocadinho de sangue... se tivesses de fazer uma refeição estilo Hannibal Lecter, que personagens (e que partes) usavas e porquê?


Eu não disse que me ia arrepender?  Mas vamos lá, isto vai ser engraçado. Ia começar por me queixar de que não há praticamente nada que eu possa dizer em resposta a isto, mas... Fui ver a lista das opiniões aqui do blog e tenho aqui vinte e dois links que posso mencionar. Estou honestamente impressionado.

Comecemos pelas batotas, que são a maior parte dos links. Podia usar personagens de Fórmula da Felicidade, que são animais antropomórficos, assim as de Maus, ou então algumas das de A Quinta dos Animais ou do mundo de Alice no País das Maravilhas, que são literalmente animais. Isto poupava-me bastante trabalho, mas era desonesto, e corria o risco de repetir a história de Philip K. Dick, Beyond lies the wub.

Portanto não o vou fazer. Mas posso usar batotas mais sofisticadas. Como por exemplo dizer que me tornava num vampiro ou num zombie, e a minha resposta passava a ser "qualquer uma que estique o pescocinho" ou "BRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAINS". Aliás, esse tipo de coisas até está bastante na moda, diga-se de passagem...

Mas também era batota, e não quero ir por aí. Até por o canibalismo tem as suas vantagens em várias obras de ficção. Pessoalmente, não me importava mesmo nada de ter a habilidade cibopática de Tony Chu, de ver as memórias de alguém, ou algum animal, que coma. E no universo negro de Joe Abercrombie, há toda uma espécie de seita com poderes praticamente sobrenaturais que ganham após comerem carne humana. Vantagens, é o que eu digo!

Nham nham
Enfim, tenho que parar de divagar e de fazer publicidade a opiniões antigas aqui no blog, e responder realmente à pergunta, não é? Seja. Mas vou fazer uma pequena batota na mesma. Sim, sim, vou sim, e não quero saber.

Ora bem, vou precisar que fiquem com quatro (conjuntos de) obras em mente: The HobbitParque Jurássico, a Saga Bubu do Dragonball e Lovecraft. Confusos? Óptimo.

A (não tão) pequena batota (quanto isso), é que a parte do canibalismo a que a Alexandra quer chegar, vai ser ligeiramente distorcida. E as três personagens que vou de facto incluir na refeição, são especiais. Mas imaginem o que era comer um bocadinho de carne de Smaug, de dinossauro, ou de uma das entidades cósmicas de Lovecraft? Ah! Carne de dragão deve ser qualquer coisa, e então carne de dragão inteligente com a voz do Cumberbatch... Um petisco!

O livro não tem nada a ver com o título, infelizmente...
Os dinossauros eu sei que não são bem personagens, mas até que são, e eu seria o primeiro na fila para dar uma trinca em carne de dinossauro, porque eu gosto assim tanto de dinossauros.

(Não achavam que eu ia ser amigo de alguém como a Alexandra sem ser eu próprio um bocadinho louco também, pois não?)

As entidades cósmicas do Lovecraft seriam uma categoria à parte. Se calhar nem tinha que as comer literalmente a elas, que seres capazes de criar objectos e cidades inteiras com geometrias não-euclidianas, devem fazer um tesseracto de lasanha do caraças. Ou então comida fractal! Se bem que isso já existe, e chama-se "sandes", porque se cortarmos uma sandes ao meio, as "meias-sandes" são na realidade sandes mais pequenas. Quanto mais cortarmos, mais sandes temos, em ponto mais pequeno. Ah!

Perdoem-me o desvio. Vamos ao canibalismo, então? É aqui que peço ajuda ao Bubu do Dragonball, e à sua capacidade de tornar as pessoas em doces. Tecnicamente é canibalismo, e caía mesmo bem depois duma refeição de dragão, dinossauro, entidades cósmicas e/ou tesseractos e fractais comestíveis. Toma esta, Alexandra!

Gelado de pessoas, alguém quer?
Vá, vou ser simpático e escolher algumas personagens para transformar em doces. Alguém como o Wolverine era o ideal: imaginem um doce com capacidade de regenerar. Uma tablete de chocolate que voltava a ficar inteira depois de cada trinca. Chocolate infinito!

De resto só se forem personagens mesmo muito desagradáveis, das quais me quisesse ver livre. E de momento não me ocorre nenhuma. Raios parta. Mas já escrevi muito, considera-te satisfeita, Alexandra! Agora diz tu de tua justiça. E vocês que estão a ler isto com ar horrorizado, façam favor, também!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A Sombra sobre Lisboa [3/3]


Autores: Rogério Ribeiro, Safaa Dib, Luís Filipe Silva, João Henrique Pinto, David Soares, João Seixas, António de Macedo, Rhys Hughes, José Manuel Lopes, Fernando Ribeiro, Yves Robert, Vasco Curado, João Ventura, João Barreiros
Tradutor: João Henrique Pinto (para o conto do Rhys Hughes)


Opinião: Depois disto e disto, termino aqui a minha opinião sobre este livro. Os cinco contos de que ainda não falei são encabeçados por Mastodon, de Fernando Ribeiro, que conta com uma escrita fantástica. O tom é mais íntimo do que narrativo, o que acaba por funcionar muito bem para o tipo de história, que à semelhança da anterior, de José Manuel Lopes, tem todo o ambiente de Lovecraft sem ser propriamente de terror.

Acerta em cheio no imaginário, mas escreve um conto... bonito. Quase poético. Muito diferente daquilo que Lovecraft costumava escrever, mas bastante fiel ao seu estilo. Agradou-me bastante, tudo isto!

O conto seguinte é A ameaça rastejante, de Yves Robert. A minha opinião não está propriamente formada, porque é tudo muito meh. A escrita é mediana, a história é mediana - com alguns momentos a deixarem muito a desejar - e o fim também é mediano. Fica a faltar caracterização das personagens e enfim, mais qualquer coisa!

Em A Hora, Vasco Curado conta uma história interessante, mas que não fica na memória. A escrita é boa, talvez das melhores desta antologia, e a história é interessante, mas não propriamente marcante.

Já em Num túnel em Lisboa, João Ventura desenvolve uma narrativa peculiar e interessante, com um bom ritmo e descrições arrepiantes dos subterrâneos lisboetas. A interrupção das obras no metro da Baixa faz todo o sentido, quando vista por esta luz, e a forma como o conta é realmente boa. Ventura tem uma escrita distintiva, embora seja muito fluido em termos de estrutura, e isso nota-se aqui, adaptando-se quase na perfeição ao estilo de Lovecraft, sem nunca perder as características marcantes da sua escrita!

Por fim, e para terminar em grande, Por detrás da luz, de João Barreiros, sem dúvida o conto de que mais gostei nesta antologia, não só pela sua qualidade intrínseca, mas porque consegue juntar escrever um conto lovecraftiano de FC. É qualquer coisa!

Os detalhes que compõem o mundo de forma quase sup-reptícia são fantásticos como sempre, e antes de dar por ela já estou completamente imerso no universo do conto. A escrita mordaz e ríspida de Barreiros agrada-me bastante, e já há uns tempos que não lia nada dele, portanto isto soube-me bem.

Acho que talvez se tenha arrastado um pouco, mas consigo imaginar o autor a entusiasmar-se enquanto escreve, sempre com vontade de enfiar mais duas ou três ideias e conceitos numa narrativa já repleta de tudo e mais alguma coisa.

Há horror, há FC da dura, há amor, há traição, há um excelente desenvolvimento de personagens, há uma excelente trama, descrições fantásticas e um ritmo absolutamente frenético!

É uma boa forma de terminar. A antologia é um livro forte, com algumas falhas mais previsíveis do que outras, e que é, acima de tudo, coerente, o que só por si já é de louvar, e de que maneira! Confesso que foi uma leitura penosa, mas ninguém me mandou ler estas páginas todas sobre a mesma coisa. Torna-se repetitivo, e só o meu amor à camisola é que me manteve de livro aberto... Mas no fim foi uma muito boa leitura, e uma que aconselho, sem sombra de dúvida.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A Sombra Sobre Lisboa [2/3]


Autores: Rogério Ribeiro, Safaa Dib, Luís Filipe Silva, João Henrique Pinto, David Soares, João Seixas, António de Macedo, Rhys Hughes, José Manuel Lopes, Fernando Ribeiro, Yves Robert, Vasco Curado, João Ventura, João Barreiros
Tradutor: João Henrique Pinto (para o conto do Rhys Hughes)


Opinião: Continuando a opinião a este livro, está na altura de falar de O elefante e o cavalo, de David Soares. O conto é muito estranho, como seria de esperar, e tem uma escrita muito boa, bonita mesmo. Tem a felicidade de ser duma fase deste autor em que ele ainda não caía no exagero que lhe aponto nas suas obras mais recentes.

O começo é das coisas mais arrepiantes que li nos últimos tempos, assim como o aproveitamento e aportuguesamento dos mitos lovecraftianos, também é muito interessante. Tudo neste conto cativa, e os pormenores são fascinantes, como os Miri Nigri, criaturas horríveis que nascem desdentadas e que portanto usam cacos de vidro e pedaços de madeira e pregos cravados nas gengivas para fazer de dentes. Fascinante!

No entanto, e apesar de tudo isto, acho que a parte da conclusão deixa muito a desejar. É que é tudo muito interessante, mas também demasiado ambicioso. De tal forma que no fim a história cede sob o seu próprio peso, e preciso de todo um capítulo no fim altamente explicativo, para que tudo faça sentido. E não fica a fazer!

A seguir vem As sombras sobre Lisboa, de João Seixas, que é um autêntico festival de arcos narrativos. Ou melhor, de personagens. Mas é importante é notar que uma das personagens é nem mais nem menos que Eça de Queirós. Sim, esse Eça de Queirós. E que bem retratado que está!

Todo o conto é bastante agradável, especialmente a escrita, apesar de alguns momentos menos felizes - "o jardim para onde a coluna de granito era vomitada" - em que parece esforçar-se demasiado. No entanto, como já disse, Eça é uma excelente personagem, assim como Fradique, imponente e praticamente um herói de acção. E a história envolve zombies! Voodoo! Ctulhu e R'lyeh! Assassínios! Mistério! Traições! Tanta coisa!

A partir de certa altura, infelizmente, só consigo sentir-me assoberbado com tanta coisa. O conto tenta acompanhar tanta coisa que se torna demasiado disperso. Não deixa, no entanto, de ser uma boa leitura!

Depois vem António de Macedo. Vénias se faz favor. Muito bem. O título é A Dama do Espelho Negro e é um conto incrível, como sempre. A escrita não é a melhor que já lhe li, mas é boa, e ao início fiquei honestamente espantado, sempre que virei uma página, ao aperceber-me da capacidade do conto em manter-me interessado, apesar de ser tão dolorosamente expositivo.

Um espelho misterioso e uma intriga retorcida, é tudo o que o Macedo precisa. Mas nem este fantástico autor consegue escapar a um fim desapontante para este conto, demasiado confuso para o meu gosto. A mestria com que conta a história, no entanto, é qualquer coisa de especial.

Arroz de Abominação é uma pequena batota neste livro que incluo na minha temporada temática actual, Lusofonices, pois não foi escrito por um autor lusófono, mas sim por Rhys Hughes (de quem consegui um autógrafo, neste livro, graças ao Fórum Fantástico!). Mas façamos de conta, sim?

Deliciosamente irónico do princípio ao fim, todo o conto é muito bom, e termina da melhor forma possível. Acho espantoso que este conto tenha sido o mais profundamente português de toda a antologia! Eu estou com vontade de vos contar o que se passa, para além da caricatura de Lisboa com embaixadas secretas dentro de embaixadas secretas que ficam dentro de embaixadas secretos no interior de embaixadas secretas, que nem sei. Só lendo, mesmo!

Para terminar (por hoje) há As Confissões de Walter Reis, de José Manuel Lopes, do qual gostei, mas que sofre um bocado por ser uma memória, a história fica demasiado parada, por vezes. Mas este é um conto excepcional, pois consegue a impossível tarefa de escrever Lovecraft sem ser propriamente um conto de terror.

Toda a atmosfera e a história é muito atípica no meio desta antologia, pois isto é claramente Lovecraft, desde a estrutura aos temas abordados, mas não há terrores inomináveis nem desgraças inolvidáveis: há, isso sim, uma certa leveza e frescura que me deixou, como já disse, honestamente surpreendido. Vale muito a pena!

E pronto, como podem ver a minha opinião melhorou. Continuo a encontrar vários problemas, mas alguns são coisas pequenas, mais embirranço, em dois ou três casos, do que outra coisa qualquer. Por esta altura só tenho é de referir o excelente trabalho da Saída de Emergência em reunir esta antologia, que não é perfeita, mas me enche as medidas!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A Sombra Sobre Lisboa [1/3]


Autores: Rogério Ribeiro, Safaa Dib, Luís Filipe Silva, João Henrique Pinto, David Soares, João Seixas, António de Macedo, Rhys Hughes, José Manuel Lopes, Fernando Ribeiro, Yves Robert, Vasco Curado, João Ventura, João Barreiros
Tradutor: João Henrique Pinto (para o conto do Rhys Hughes)


Opinião: Se já viram este livro, já sabem que tem um aspecto gigante e apetecível. O grupo de autores aqui reunido é excepcional, e o tema é fantástico: contos lovecraftianos em Lisboa. Andava eu apenas a recolher autógrafos neste bisonte, que nem é meu, durante o Fórum Fantástico, quando tanto o Rogério Ribeiro como o Luís Filipe Silva me impingiram a leitura dos contos deles.

Como raramente recuso um desafio, ainda por cima um que envolvia criticar os dois mentores da Oficina de Escrita, parti para a leitura! Ou melhor dizendo, parti para a leitura depois de muito admirar o livro, porque esta é uma edição da época áurea da Saída de Emergência, com ilustrações fantásticas, uma boa capa, uma excelente organização, enfim, de deixar água na boca.

Depois disso, sim, comecei a ler. E nada melhor para abrir o apetite do que O Primogénito, do Rogério Ribeiro. Vocês nem imaginam o quanto esfreguei as mãos enquanto ria de forma maníaca, quando vi que era este o primeiro conto. Finalmente, a vingança contra o bad cop da Oficina! Muahahahahahah!

Entretanto passou-me e comecei a ler, sossegado. Reparo então que o conto tem deuses, de vários panteões. Estás a ir bem Rogério, penso eu. A escrita é boa, e o começo deixou-me logo curioso. Poucas coisas conseguem ganhar a um concílio de deuses bem feito. No entanto este concílio acaba por não ter grande relevância para o desenvolvimento da história, o que é uma apena. Leva pontos de bónus pelo aparecimento de Nyarlathotep, perturbador e um verdadeiro momento de terror lovecraftiano.

O conto no geral acaba por sofrer de ser demasiado vago, característica que culmina no fim, do mais vago possível. E aqui o defeito é por causa de um meio-termo: o conto devia ter sido mais longo, para ter mais explicações para a quantidade enorme de elementos que apresenta, ou mais curto, para deixar o leitor completamente às escuras e com medo de apagar a luz. Não deixa de ser um bom conto, e se eu estava à espera de vingança, tive azar!

A seguir vem O Vale de Sombras, da Safaa Dib que, confesso, não sabia que escrevia. É uma história interessante, mas com um princípio discreto e que descamba rapidamente. A intriga não é muito consistente, e o conto obriga-nos a passar muito tempo com uma série de personagens que depois praticamente não têm relevância para a história.

Para piorar ainda vem um final risível, com revelações sobre uma das personagens que não fazem muito sentido e que são mal feitas. Salva-se a escrita, que é boa, especialmente nas descrições, apesar dos erros e das gralhas que fazem parecer que o texto nem foi revisto, um mal que também afecta alguns dos outros contos...

Depois vem Aquele que repousa na eternidade, do Luís Filipe Silva, e o meu riso maníaco decide regressar. Desapontado por não ter grande coisa por onde chatear o Rogério pelo seu conto, aparece-me um do outro mentor da Oficina de Escrita. Só que quer dizer... Isto não é um conto, é uma autêntica novela! Tem mais de oitenta páginas!

Mas não faz mal, eu já sei que gosto da escrita dele. Infelizmente, e embora aqui esteja bem, não está com aquela qualidade deslumbrante que encontrei no Terrarium, e o enredo desenrola-se muito, muito lentamente. Ainda na última sessão da Oficina, no fim de semana que passou, eu comentei como as histórias lovecraftianas têm que ser lentas e intensas e ligeiramente sufocantes logo desde o início, mas esta novela arrasta-se demasiado. E é uma pena, porque tem momentos brilhantes, como a revelação do nome das personagens - não digo mais que isso - e a utilização do Necronomicon, por exemplo.

As sequências oníricas são das mais interessantes, muito bem feitas, mesmo, e não posso deixar de mencionar a quantidade de sangue acima da média ao longo destas oitenta páginas. E eu é que sou o sanguinário! Mas depois uma das linhas narrativas, nomeadamente a que decorre no passado mais distante, demora demasiado a fazer sentido, ou melhor, a cumprir o seu propósito. Talvez tenha sido culpa da extensão exagerada da história, mas senti-o mais marcadamente com essa parte do que com as outras.

Outra coisa que podia estar melhor são as ligações entre as várias linhas narrativas, que são tudo menos óbvias. O estilo lovecraftiano já é denso o suficiente, a adição dessas ligações simbólicas (ou não) só pode acontecer de forma mais explícita do que aquilo que o Luís fez. No fim, o "conto" fica um pouco aquém, mas talvez as expectativas de quem leu o Terrarium sejam vagamente injustas, porque a verdade é que gostei bastante de acompanhar a história e fiquei fascinado com alguns dos momentos!

O conto seguinte é Um dia no cárcere, de João Henrique Pinto, curto e intenso, com um bom começo a uma ilustração no mínimo perturbadora. A descrição dos vários métodos de tortura faz impressão a qualquer pessoa, e há um bom aproveitamento de Hitler e dos nazis e das suas ilusões causadas por histórias dos Great Old Ones de Lovecraft.

No entanto o conto divaga um bocado e perde o interessante. Utiliza bem a cidade, é verdade, talvez a melhor utilização até este ponto, e a escrita não é má, mas a história acaba por ser demasiado... meh.

A ideia geral até aqui é a de uma antologia com potencial e uma qualidade acima da média, mas que se mantiver exactamente o mesmo registo, vai ficar muito aquém. No entanto, tenho confiança!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

At the Mountains of Madness


Título: At the Mountains of Madness
Autor: H.P.Lovecraft

Sinopse: Long acknowledged as a master of nightmarish visions, H. P. Lovecraft established the genuineness and dignity of his own pioneering fiction in 1931 with his quintessential work of supernatural horror, At the Mountains of Madness. The deliberately told and increasingly chilling recollection of an Antarctic expedition’s uncanny discoveries–and their encounter with untold menace in the ruins of a lost civilization–is a milestone of macabre literature.

Opinião: Ler Lovecraft é sempre uma experiência tremenda, digam o que disserem. A capacidade que o autor tem de nos fazer mergulhar na sua mitologia monstruosa, cósmica e assustadora é simplesmente fora do normal. At the Mountains of Madness não é excepção.

Usando temas e conceitos recorrentes na sua obra, como o medo do desconhecido, os Elder Things, os Shoggoth, alusões a Cthulhu e R'lyeh, bem como outros deuses e lugares da sua mitologia, Lovecraft tem aqui um pequeno livro com um estilo em tudo muito típico.

A longa introdução, as personagens que são académicos, as longas explorações e explicações do que se está a passar, uma tensão que aumenta lentamente de tom até se tornar quase insuportável e ameaçadora... Tudo isto é bastante típico de Lovecraft, e são coisas que o autor usa com uma mestria inigualável.

Poucas páginas depois de ter começado a ler, já estava a ler referências ao Necronomicon e coisas que tais, ainda tudo muito calmo e sereno. Haviam apenas alguns indícios iniciais das desgraças que iam suceder, pois o narrador conta a história na primeira pessoa e depois de tudo ter acontecido, com o intuito de impedir outros de fazerem a mesma viagem que ele (outra noção bastante comum nos escritos de Lovecraft).

Como já disse, a introdução é longa. A narrativa ambienta o leitor e deixa-o à vontade com o cenário e as personagens, cedendo apenas em pequenos detalhes e comentários do narrador, que vão criando um ambiente misterioso e de algum suspense, até que ocorre uma tragédia. A partir daí é sempre a andar. Sem dar por isso estava a acompanhar os protagonistas nas suas explorações quase como se estivesse ao lado deles, a beber, fascinado, os rios de informação sobre a mitologia de Lovecraft que estas iam revelando, sempre à espera de um ser ou maligno e inenarrável ao virar da esquina.

E Lovecraft não decepciona. Depois de uma longa viagem em que a expedição chega mesmo a ser esquecida em detrimento de verdadeiras avalanches de conhecimento mitológico lovecraftiano, a tensão chega a um máximo e tudo descamba nos momentos finais, acelerados e de pôr o coração aos pulos, com as devidas caídas na loucura, momentâneas ou não, das personagens.

Em suma, é o típico Lovecraft, numa extensão um bocado superior ao que estou habituado, mas que prova a mestria deste autor no género do terror.

domingo, 1 de julho de 2012

Terrortório

Título: Terrortório
Autor: Vários

Opinião: Esta colectânea de contos prometia, com nomes como Poe, Asimov, Kafka e Lovecraft, por exemplo, ainda que apresentasse ali pelo meio uns nomes portugueses, a maior parte deles completamente desconhecidos para mim.

Ainda por cima começa bem, com um conto de Poe, simples e obviamente bem escrito, mas a partir daí, tirando os grandes nomes e algumas (poucas) surpresas nacionais, pouco se aproveitava.

Para começar, nem todos os contos são propriamente de terror, com o de Asimov e Creach a tender para o humorístico, enquanto que o de Luísa Costa Gomes é apenas uma nódoa, completamente banal e sem ponta por onde se lhe pegue.

Tirando esses defeitos e essas falhas na construção deste elenco que, volto a frisar, tem nomes excelentes que produziram contos excelentes, como seria de esperar. Imagino que o objectivo fosse como que lançar este género com tão pouca visibilidade em Portugal, e aproveitando para mostrar que a produção nacional se recomenda.

Bem, aquilo que posso dizer é que ainda bem que a sobrevivência deste género por terras lusas não dependeu deste livrito, já relativamente antigo. Se assim fosse, acho que eu ia ter muito mais dificuldades em ler Stephen King, Lovecraft, Bram Stoker, bem como em assistir à crescente popularidade de autores como David Soares.

Se isto era uma mostra do talento nacional num campo relativamente renegado da literatura, falhou redondamente. Lá está, tem contos interessantes, mas falha no geral.

Ou seja, se o tiverem por causa, não perdem nada em ler, mas não se preocupem muito em andar à procura dele.

domingo, 4 de julho de 2010

O Terror na Literatura Sobrenatural


Imaginem a minha excitação ao encontrar um ensaio sobre o terror (um dos meus géneros favoritos) na literatura, escrito por H.P.Lovecraft, um dos grandes mestres do terror (e um dos meus autores favoritos).

Nem pensei duas vezes, comprei-o logo. E não me arrependo. Apesar de ser um livro pequeno, tanto no formato, como no número de páginas, aquilo que se pode aprender com ele ultrapassa largamente aquilo que se aprende com alguns calhamaços que por aí andam.

O conhecimento literário do autor é profundo... Desde os livros e textos mais mainstream, na altura, até a algumas coisas mais obscuras e praticamente esquecidas, Lovecraft conhece-as todas. E leva quem lê este livro a uma viagem, que começa nos primórdios da literatura de terror, e percorre toda a história deste género (até à altura em que o livro foi escrito, obviamente).

A nível pessoal, este livro deu-me algumas coisas. Primeiro que tudo, ensinou-me as bases da escrita de terror. Lovecraft disseca completamente este género, e ensina, a quem quiser aprender, como escrever terror, não directamente, mas através das explicações sobre o que outros autores fizeram, e o que não deviam ter feito.

E ainda me deu vontade de ler uma data de coisas aqui mencionadas... Algumas de autores que eu nunca tinha ouvido falar, outras de autores que eu já tinha ouvido falar, mas que não sabia terem escrito coisas dentro deste género, e ainda livros que eu já conhecia, de autores que eu já conhecia, mas que nunca me tinham interessado por aí além.

Além de ensinar... Este livro é um autêntico arrasa-carteiras. Mas mais do que aconselhado, a todos os leitores, e em especial a fãs do fantástico e do terror. Um livro a não perder.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft - 1º Volume


O 1º Volume de uma colectânea dos melhores contos de Howard Phillips Lovecraft, este livro além de ser visualmente perfeito,com um estilo que encaixa perfeitamente na escrita de Lovecraft, tem uma tradução excelente, e umas introduções verdadeiramente magistrais de Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell.

Todos os contos são completamente fascinantes, e o autor criou um autêntico mundo cósmico, onde vai buscar mitos, criaturas, e objectos, todos eles arrepiantes e assustadores.

Aquilo que mais me impressionou na escrita deste autor, foi a forma como mesmo usando uma escrita cuidada, e de certa forma erudita, com palavras algo complicadas, e uma escrita sempre muito bem estruturada, consegue imprimir um certo ritmo à história.

Dei por mim a acompanhar as fugas das personagens, como se estivesse mesmo ao lado delas. Conseguia perceber os seus sentimentos de urgência, de pânico, de terror puro. Lovecraft tem uma escrita que transmita na perfeição o ambiente da história e os sentimentos das personagens, além de, como já disse, conseguir manipular o ritmo da história à sua vontade, sem alterar em nada a sua escrita. Não tenho a certeza se é através de uma escolha de palavras perfeita, das descrições espectaculares, ou do desenvolvimento muito bem pensado, mas a verdade é que o autor consegue fazer da história aquilo que quer.

Se a personagem está a fugir de um terror cósmico, em pânico, sente-se verdadeiramente que isso acontece. Ao lermos as suas palavras conseguimos perceber exactamente aquilo que a personagem está a sentir, conseguimos capturar na perfeição o ambiente que o rodeia, quer através das extensas descrições de horrores interplanetários e inconcebíveis, quer através das poucas palavras atiradas para o meio da narração de uma fuga.

Isto tudo, e ainda não falei da característica mais impressionante das histórias de Lovecraft. O mundo, ou mundos, melhor dizendo, por ele criados. Mundos cósmicos, ou primitivos, anteriores ou ulteriores ao homem, até paralelos ao homem, que encerram segredos e criaturas extraordinárias, estruturas e objectos que não obedecem à nossa geometria, seres que não obedecem às nossas leis da física, da química, ou do que quer que seja.

Existem vários mundos, na mitologia de Lovecraft, desde a era primitiva, antes da chegada do Homem, onde vivia a Grande Raça, seres que dominaram todos os segredos do Universo; até ao mundo dos deuses-demónios, como Nyarlatothep, e Cthulhu; passando pelos planetas do nosso próprio sistema solar, onde vivem estranhos seres capazes de viajar no espaço.

Cada um destes contos é uma pequena obra-prima. Desde aqueles com 50 e tal páginas, até aquele que nem chega às 2 páginas. E ainda há mais 3 volumes!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Herbert West: Reanimador


Mais um excelente livro desta colecção da Quasi, que se vem juntar a 'O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde' e a 'O Crime de Lord Arthur Savile'. Desta vez são 3 contos de H. P. Lovecraft, um dos melhores escritores de histórias de terror, e que juntamente com Edgar Allan Poe, é a principal fonte de inspiração para grande parte dos escritores de terror mais modernos.

A primeira história, que dá nome ao livro 'Herbert West: Reanimador', é sobre Herbert West, um aluno de medicina com ideias radicais de reanimação dos mortos. É ajudado por um seu amigo, que ao princípio participa activamente e de livre vontade, mas acaba por começar a sentir medo do próprio Herbert. Após várias tentativas falhadas, conseguem a reanimação de vários corpos, entre eles a reanimação de um corpo decapitado.

A segunda história, 'Celephais', é sobre um homem e os seu sonhos. Este homem era Kurane, e sempre que dormia ficava imerso em sonhos que lhe pareciam reais, e num deles, visita uma cidade magnífica chamada Celephais. Com o passar dos anos começa a ter dificuldades em dormir, e começa a tomar drogas para adormecer e sonhar, na tentativa de encontrar Celephais e lá ficar mais tempo, o que acaba por conseguir, embora a um custo terrível.

Por fim, a terceira história é sobre dois escultores brilhantes, amigos desde sempre, a quem é encomendada uma grande estátua a cada 1, sob forma de competição. Aquele que fizesse a melhor estátua, era aquele que ia receber o pagamento pela estátua. Mas um deles os dois morre durante o trabalho, e como último pedido, pede ao seu amigo para o enterrar com ramos de oliveira perto da cabeça. Assim é feito, e uma oliveira com uma estranha forma nasce por cima da campa do que morreu, e um dos seus pesados ramos acaba por cair em cima da casa onde vivia com o amigo, matando-o.

Uma escrita agradável. Li este livro em 3 tempos, pois além de ser pequeno e com histórias mais do que interessantes, senti-me confortável com a escrita. Lovecraft é sem dúvida um mestre do terror e da ficção científica, criando histórias imaginativas e com finais inesperados, mantendo sempre algum suspense. Algo que notei na primeira história foi a repetição. Ao longo dos capítulos, Lovecraft repetiu vezes sem conta a história, começando os capítulos sempre com um pequeno resumo do que se tinha passado até aí. E, ao contrário do que se podia achar, isto não impedimento para que eu gostasse da leitura. Apesar das várias repetições, não as achei aborrecidas, até acho que fizeram algum sentido, pois eram escritas de maneira diferente e havia sempre algo novo para relembrar.

Sem dúvida uma boa escolha de leitura, e espero em breve ler mais coisas deste autor!