sábado, 2 de julho de 2011

A Mãe


Título: A Mãe
Autor: Máximo Gorki

Sinopse: Este romance é um retrato dramático e fascinante da luta revolucionária vista através da óptica familiar e do mundo dos trabalhadores. Baseado em fatos reais ocorridos nas fábricas de Sormovo, na Rússia czarista, onde Gorki conheceu o operário Zamolov (Paulo Vlassov no livro), militante revolucionário, e a sua mãe, Anna (Pelágia Nilovna no livro, que se dispõe à arriscada tarefa de distribuição de panfletos), protagonistas das manifestações do 1º de Maio de 1902, nessa mesma cidade, e da consequente prisão e julgamento dos envolvidos. Profundo conhecedor da cultura, dos falares, das gírias, dos costumes, das crenças e descrenças do povo russo, possibilitou a Gorki escrever obras clássicas da literatura mundial.

Opinião: Começarei esta minha apaixonada crítica pelo único ponto fraco facilmente substituível: a tradução. Tão má que por vezes me achei mais capaz de traduzir o russo de Gorki que o próprio tradutor.

A primeira objecção que se me levanta é a tradução dos nomes e a segunda, a aparente falta de cultura do tradutor, ao não conhecer o hino da Internacional Comunista (entre outras palavras de ordem comuns) e por conseguinte traduzi-los à letra, o que os despromove de toda a coerência.

Empurrando à parte este infeliz incidente, deitar-me-ei ao que me propus de início: opinar apaixonadamente.

Está, portanto, encerrada nesta obra, nada mais nada menos do que toda a essência da alma revolucionária: não a revolta massiva contra a injustiça, mas o esclarecimento pessoal e intelectual à escala mais pura e universal.

A Mãe é o que mais de poético há no socialismo. É a poesia de um ideal, o hino genuíno dos oprimidos comprimido nas palavras simples mas abrangentes de Gorki. A Mãe, Pelágia Vlassov, mulher de extrema benevolência e ingenuinidade, esmagada por um passado sofrido pelas constantes agressões do marido, vê no filho, Paulo, a encarnação da esperança, quando este lhe expõe com uma paixão ardente os seus ideais revolucionários.

Pelágia é a alegoria do povo explorado e ignorante, que lentamente vai reconhecendo a verdade do mundo.

Talvez a personagem mais modelada que tive a oportunidade de conhecer, a mãe, encanta-nos pela simplicidade e beleza com que absorve a luz do esclarecimento.

Sentimos, ao longo da narrativa, que esta se vai abrindo gradualmente, à medida que também os olhos de Pelágia se abrem para a verdade negra do mundo e da sua condição.

Uma obra cujo conteúdo é quente e reconfortante a qualquer utópico da liberdade, uma voz incomparável esta de Máximo Gorki, que se ergue contra o medo, inspirando.

De pé, ó vitimas da fome. Esta obra é Vossa.

5 comentários:

Rui Bastos disse...

Tenho aí esse livro, despertaste-me a curiosidade!

Laura disse...

Já à uns tempos ouvi coisas positivas sobre este livro, mas acho que vou pegar na versão inglesa, então. Prefiro isso a estar constantemente a pensar que a tradução é deficiente o.o

Tiago M. Franco disse...

Foi um dos primeiros livros que li.
É fácil perceber, lendo este livro, o porque de os Russos terem feito a revolução que fizeram e terem deixado de ser uma monarquia, pois os mais básicos direitos das pessoas não eram respeitados.
Quando o li pensei que felizmente, pelos menos na Europa, nunca mais uma percentagem tão grande da população iria passar fome pois a democracia garantia isso. Confesso que quando acabei o livro o achei maravilhoso, mas era apenas um clássico, pois o cenário que levou aquelas pessoas a revoltarem-se já não voltaria a acontecer, talvez, pensava eu na altura, este livro devia de ser lido por muitos das pessoas dos países imergentes, ai sim, havia aspectos muito parecidos com os relatados no livro.
Os fatos que têm acontecido recentemente na Europa revelaram a minha ignorância, infelizmente muito gente hoje em dia passa por muitas dificuldades, e são muitos aqueles que não tem nada para comerem.
Aspectos políticos á partem, é impressionante o amor da mãe ao seu filho durante a obra, ela está sempre do seu lado. A Mãe de Gorki personifica quase todas as mães deste mundo, pois quase todas nutrem pelos seus filhos um amor incomparável.

Alice Matou-se disse...

Rui e Laura, força nisso ;D
Tiago, nao podia concordar mais.

Manel disse...

Muito boa opinião sobre um livro que mostra perfeitamente a vida da Rússia no inicio do século XX