sexta-feira, 6 de junho de 2014

Em Busca do Futuro


Autor: A.E. Van Vogt
Tradutor: Eurico da Fonseca


Opinião: Quando um livro me custa vinte e cinco cêntimos, das duas uma: ou é a maior pechincha da minha vida ou o livro não é nada de extraordinário. A minha opinião sobre este recai mais na segunda hipótese, mas concedo que a culpa provavelmente não é do autor.

Passo a explicar. Esta edição é da colecção Argonauta, que actualmente se compram a um euro na Feira do Livro. Três a cinco, os mais antigos. E embora seja uma colecção bastante importante para o panorama FC português, a verdade é que há críticas constantes à qualidade das edições e, acima de tudo, das traduções.

E são essas críticas que vou ter que apontar a este livro. Já não está em perfeitas condições, portanto imaginem o que é ler um livro que a qualquer altura se pode desfazer nas vossas mãos. Depois tem uma tradução que me parece ser mediana, e uma edição descuidada - ou até desleixada.

Pronomes que não batem certo, nomes que mudam ligeiramente e coisas traduzidas demasiado à letra, por exemplo, são a causa de uma grande confusão durante a leitura. Ainda por cima o enredo é altamente complexo, com viagens no tempo e probabilidades à mistura. Tudo isto reunido... Estão a ver o problema.

Em termos da história deparei-me com uma situação curiosa. Fui encontrando vários problemas que, depois de pensados um pouco, se revelam como provenientes de uma e uma só causa. Pois é. Na prática, todos os defeitos que encontrei a nível de enredo e de caracterização das personagens se deve à falta de explicação/clarificação sobre as viagens no tempo.

Como já disse, o enredo é complexo. Nada linear. O protagonista recebe uns filmes vindos do futuro, encontra um projector vindo do futuro, descobre uma forma de ir ao futuro, vai ao passado, depois outra forma de ir ao futuro, depois volta ao passado, e depois é o caos total, no final.

Porquê? Bem, como é que o autor resolveu o problema dos paradoxos que as viagens no tempo causam? Criando uma série infinita de mundos paralelos, chamados mundos de probabilidades, que seguem um bocado a ideia de "se pode acontecer, aconteceu nalgum mundo". Mas depois a mesma pessoa em diferentes mundos de probabilidades e em diferentes tempo pode-se confundir com outra versão sua, e isso causa... coisas.

Não, não tenho bem a certeza. Confuso até ao fim, Em Busca do Futuro tem uma premissa bastante interessante mas, pelo menos nesta edição, não é fácil (possível!) de acompanhar. As personagens principais são interessantes, como o protagonista Peter Caxton, um professor de física com um temperamento peculiar, Claudan Johns e Selanie, pai e filha viajantes no tempo profissionais. No entanto nenhuma é suficientemente desenvolvida para ser propriamente marcante, já para não falar que os diferentes mundos de probabilidade levam a que a mesma personagem pareça ter comportamentos diferentes e até contraditórios, quando na realidade são duas personagens diferentes.

Por fim tenho que mencionar a minha parte favorita deste livro: Caxton e mais três pessoas partem numa viagem de quinhentos anos até Alfa Centauro, recorrendo a uma droga inventada por um deles para ficarem em animação suspensa e sobreviveram à viagem. Uma boa ideia, não é? Afinal, como sobreviver a uma viagem que a luz demora não sei quantos a percorrer? Só assim, certo? Parece tudo muito bem. Mas quando lá chegam, já lá está uma colónia humana!

O que raio se passou, afinal?! Pois bem, toda a gente se esqueceu do desenvolvimento humano. A nave partiu na sua viagem de quinhentos anos, e no entretanto a civilização humana desenvolveu-se de tal forma que começou a ser capaz de fazer essa mesma viagem em três anos e começar a estabelecer colónias noutros planetas e sistemas estelares. Genial!

Só é pena que esse aspecto não tenha sido capaz de salvar o livro, que nunca passou de mediano. Reconheço, no entanto, que foi uma leitura agradável que me despertou a curiosidade para mais clássicos de FC desta era.

4 comentários:

Jules Pijey disse...

A ver se aquilo que tenho para aqui dele para ler seja melhorzinho. Mas no geral acho que tem potencial!

Rui Bastos disse...

Eu tenho uma boa impressão do autor... Acho que a edição não ajudou em nada. Quando pesquisei sobre o tipo, o que encontrei foi coisas como "o autor mais complexo da Golde Age" e assim!

Jules Pijey disse...

Isso dá-me algum receio. Não sei bem o que esperar. Mas acho que aproveito para testar com o que arranjei dele agora na Feira e logo julgo melhor o senhor! (que por agora é só impressão geral do que vi em sítios e do que ouvi de ti)

Rui Bastos disse...

É veres... Essa edição que arranjaste tem um ar melhorzinho, I must say!