quinta-feira, 22 de abril de 2010

Maria Antonieta


A Biografia da rainha mais mal-afamada da história francesa, cuja vida há muito que me andava a interessar conhecer. Esta versão, escrita por uma descendente da própria Maria Antonieta, Catalina de Habsburgo, diga-se a verdade deixou-me um tanto quanto de pé atrás quando cheguei ao fim. Devo dizer que fiquei surpreendida com inúmeros episódios da vida desta soberana tão polémica, que me levaram inclusivamente a sentir alguma pena e revolta pela sua morte cruel. No entanto, tal como era boa pessoa, era também uma criatura de carácter fútil e imensamente egoísta, os dois defeitos que levaram à sua ruína.
No entanto, o que me desagradou principalmente nesta obra, foi o facto de a história ter sido habilmente suavizada no que diz respeito à corte conservadora de Luis XVI, e manageada de forma a quase sentirmos ódio da população francesa pela maneira bárbara como condenaram os seus soberanos, duas situações que me levaram a prometer evitar ao máximo ler obras históricas escritas por monárquicos ou parentes/descendentes de reis.
De qualquer forma, não posso deixar de elogiar a qualidade da escrita de Catalina de Habsburgo, que conseguiu transformar a vida de Maria Antonieta num bonito romance.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Nome do Vento


E está finalmente acabado, este Sr. Calhamaço! E com muita pena minha, digo-vos. É que é apenas o primeiro livro de uma prometida trilogia, ou seja, a história ficou a menos de meio... E para ajudar à festa, ao longo das últimas páginas são-nos dadas várias pistas sobre o que vai acontecer nos livros seguintes. Coisas do género: "e ainda não vos contei isto nem aquilo!". É honestamente irritante, mas o resto do livro compensa.

Compensa tanto que nem sei por onde começar. Talvez por dizer a primeira coisa que me veio à cabeça, quando virei a última página: Épico. A sério, não tenham dúvidas, se há coisa que este livro é, é épico. Um relato minucioso da vida de um... não sei como o definir, Kvothe não é o nosso herói típico. E daí talvez seja. A ver se me consigo explicar.

Normalmente, os heróis dos livros (e filmes e etceteras), são uns espectaculares espécies da raça humana, altos e espadaúdos, superiores à maior parte da pessoa, tanto física como moralmente, e ou são nobres rebeldes, ou mendigos ambiciosos. Kvothe não. Tem uma constituição normal, e o seu forte é o intelecto, que é muito (muito, mesmo), acima da média.

Tudo começa de forma interessante. Aquilo que parece ser um simples estalajadeiro, não o é realmente, e quando um Cronista chega à sua estalagem (já agora, mesmo nas últimas páginas há um desenvolvimento interessante acerca disto), determinado em escrever a história de do lendário Kvothe, o estalajadeiro, de nome Kote (e que se percebe logo que não é simplesmente um estalajadeiro, a poucas linhas do início), revela-se, e começa a contar a sua história.

Bem, tem de tudo. Familiares assassinados, uma vida pobre e miserável, uma Universidade-estilo-Hogwarts-embora-bem-diferente, os poucos amigos leais, as donzelas, as criaturas lendárias, a "magia" (é complicado, se lerem percebem), entre tudo aquilo necessário a um bom livro de fantasia.

E que óptimo de livro de fantasia que este saiu! Simplesmente fenomenal. Das melhores coisas que tenho lido nos últimos tempos! Eu sei que digo isto muitas vezes, mas que querem, tenho sorte. E acreditem, as 966 páginas deste não me impediram nem um bocadinho de o ler em sensivelmente 1 semana, com aulas pelo meio e tudo. Só para verem, estou com pouca vontade de ler o próximo livro da pilha, apetecia-me antes o segundo volume desta trilogia!

domingo, 11 de abril de 2010

Os calhamaços


O que é, afinal um calhamaço? Suponho que dependa do leitor: para alguém que pouco ou nada lê, 400 páginas podem ser um autêntico calhamaço, mas para os leitores mais habituais, 400 páginas é quase normal, e para ser considerado um autêntico calhamaço, tem que ter a partir de 700 páginas.

Lembrei-me de vir falar disto hoje, porque estou a ler um calhamaço dos grandes, O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss, com as suas 900 e qualquer coisa páginas, e reparei numa coisa.

Para começar não é assim tão calhamaço quanto parece. Sim, tem muitas páginas, mas tem um tipo de letra grande. Parece enorme, mas se formos a ver é capaz de ser bem mais pequeno do que aparenta. Mas não foi nisso que eu reparei, perdoem-me a divagação. Aquilo em que eu reparei foi que o simples facto de ser um calhamaço me deixou com vontade de o ler. Pode parecer algo... parvo, julgar um livro pelo seu tamanho, mas é inevitável, quando vejo um livro grande, fico logo em pulgas para saber o que raio ocupa tantas páginas.

Não sei bem explicar, acho que por ser tão grande implica várias coisas. Que o/a autor/a teve paciência para escrever aquilo tudo, e como tal não pode ser um tótó qualquer; que tem de ser uma história interessante, para ocupar tantas páginas; e que deve ter potencial, para ser publicado, pois livros grandes implicam custos maiores na produção. Mas, como é óbvio, isto é o meu espírito optimista de leitor a falar. O/A autor/a pode perfeitamente ser um tótó sem o mínimo talento para escrever... Paciência para escrever e talento para escrever não são directamente proporcionais. O livro pode até nem ter o mínimo de interesse, pode não passar de 900 páginas de palha, em que pouco ou nada se conta. E, claro, as editoras também publicam grandes falhanços.

E nem todos os leitores são tão optimistas quanto eu... Alguns não gostam de ler livros deste tamanho por várias razões: ou porque não é prático (convenhamos, gente que lê fora de casa, e que anda com os livros atrás, não deve achar muita piada a carregar 3 kg de livro de um lado para o outro), ou porque pensam naquelas razões todas que eu apontei ali em cima, ou porque simplesmente lêem devagar, e um calhamaço de 900 páginas lhes iria ocupar demasiado tempo, o que faria com que se fartassem do livro, e não o aproveitassem como deve ser.

E é por isso que os calhamaços devem seguir um certo conjunto de regras informais. Devem ter capítulos pequenos (bem, grande parte dos livros os devia ter pequenos, mas livros grandes então...). A leitura torna-se mais fluida, o que é essencial para ultrapassar as 900 páginas. Os autores de calhamaços devem ter muito cuidado com o que escrevem... Com tantas páginas, não é muito difícil um/a autor/a se deixar levar, e ter 200 páginas a encher-chouriços. É das coisas que os leitores da Stephenie Meyer mais se queixam. Embora eu pessoalmente nunca tenha lido a sua saga de vampiros, aquilo que mais oiço dizer é que metade dos livros só lá estão para, lá está, encher chouriços.

Conclusão: calhamaços? Sim, se faz favor. Pelo menos enquanto não me desiludirem.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Deuses Americanos

Para um autor que ao princípio nada me dizia, e que depois me deixou ligeiramente curioso, tenho que confessar que "Deuses Americanos" superou as minhas expectativas de uma maneira que eu nunca tinha visto.

Aliás, a primeira vez que eu ouvi falar de Neil Gaiman, foi por altura da estreia do filme "Coraline", que se baseou num livro seu. E esse filme (e por consequência esse livro), não me atrairam minimamente, pois embora tivesse um certo estilo à la Tim Burton, era demasiado... infantil, para o meu gosto.

Qual não é o meu espanto quando na capa deste livro, do mesmo autor de "Coraline", vejo um comentário a dizer que Gaiman entrava no território de Stephen King, um dos meus escritores favoritos (se não mesmo o favorito)! Foi compra quase instantânea.

E, depois de uma data de tempo na pilha há espera de ser lido, devorei-o completamente em 3 dias. Foi verdadeiramente surpreendente, não estava à espera da história que dali saiu. Além do mais, o comentário sobre o Stephen King tinha razão, pois em alguns momentos o estilo era tal e qual. Transmitia a mesma sensação, embora diferente, de certa forma. O estilo de King é muito único, assim como o de Gaiman, e embora este último tenha conseguido, de certa forma, ter semelhanças, fá-lo de uma forma muito própria.

Se bem que eu sou suspeito. Sou praticamente um fanático por mitologia, sempre foi algo que me fascinou completamente. E adoro Stephen King. Este livro está na onda do Stephen King, e mete deuses por todos os lados. Ou seja, ganhou logo o meu afecto, quase de imediato.

E a verdade é que está bem escrito, é um grande livro, com uma grande história, e que me deixou com uma tremenda curiosidade de conhecer mais deste autor!


"Afinal, liberdade para acreditar significa liberdade para acreditar no que está errado. Tal como liberdade de expressão nos dá o direito de permanecermos calados."

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Dos Livros

Pelo que percebi, este "Dos Livros" é apenas um excerto de um livro maior, pertencente a uma colecção de ensaios de Montaigne.

E, tal como vem bem explícito na introdução, não é uma história, ou mesmo um ensaio na verdadeira acepção da palavra. É antes uma simples transposição de pensamentos, da mente do autor para o papel.

Neste "mini-livro" propriamente dito, Montaigne fala de livros, e da leitura (não fosse isto uma edição comemorativa do Dia do Livro), realçando bem a diferença entre o valor universal de um livro, e o seu valor pessoal.

Claro que o livro tem todo ele um tom muito pessoal, e que me deu a impressão que o autor conversava consigo mesmo, numa espécie de monólogo em que divaga livremente sobre o assunto escolhido.

Só tenho pena que o livro seja mesmo mini mini, pois gostei dos raciocínios do autor. E também porque não pude apreciar a sua escrita como deve ser, embora me tenha parecido sublime.


"Quero que se comece pelo último ponto; compreendo suficientemente o que significam morte e volúpia; não se entretenham a dissecar estas noções; procuro razões conclusivas, boas e firmes, que me ajudem a aguentar o esforço. Nem as subtilezas dos gramáticos, nem o engenhoso agenciamento das palavras e da argumentação me são úteis."

terça-feira, 6 de abril de 2010

Diário de Um Deus Criacionista

Uma leitura difícil, devo já avisar. Não pela complexidade da obra em si, mas pelo estilo do autor, que tem uma escrita demasiado densa e, por vezes, confusa.

É um estilo algo... peculiar, com frases que chegam a durar duas páginas, repetições exageradas, diálogos sem qualquer sinal que os indique e, o que mais me fez impressão, mudanças abruptas da pessoa do narrador.

São mudanças de uma primeira pessoa do singular para uma primeira pessoa do plural (por exemplo), sem mais nem menos, o que, como é óbvio, me confundiu um bocado.

Quanto à história propriamente dita, juro que não percebi exactamente o objectivo. Se era malhar no cristianismo, se era conciliar a religião com a ciência

É que por um lado temos um Deus que dita as leis da ciência, e que, de certa forma, complementa a evolução natural; mas por outro lado, é-nos apresentado um Deus longe de ser perfeito, que falha, que não é omnipresente, omnisciente e muito menos omnipotente.

Ou seja,  de certa forma tenta conjugar duas visões quase rivais, a religião e a ciência, ao mesmo tempo que mostra como é errada a visão dogmática da Igreja.

De destacar, ainda, o grafismo do livro, com cores, algumas imagens e brincadeiras com a formatação. Foi um aspecto do livro que por vezes me irritou solenemente (pareceu-me que o aspecto do livro tinha muito mais importância que o conteúdo, e se é verdade que me marcou, toda esta "inovação", pois é certamente diferente daquilo a que estou habituado a ver, também é verdade que não traz nada de novo à história, e às vezes é apenas desnecessário); mas que, por vezes, me agradou, pois consegue acrescentar outra dimensão às palavras.

Não o aconselho a toda a gente, pois é uma leitura algo penosa, mas que não deixa de ser divertida (concorde-se com o que lá vem ou não).

quarta-feira, 31 de março de 2010

Cheira bem, cheira a livraria



Todos os bons leitores se regozijam ao entrar numa livraria.
Antes de entrar deparamos com o vislumbre da montra: «Todos os dias se lançam livros novos» pensamos. E sentimos uma pontada de excitação para os ficarmos a conhecer um pouquinho melhor. Entramos, e a primeira coisa que nos faz tremer os sentidos é o olfacto. Oh sim. Aquele cheiro familiar a papel que em qualquer parte associamos a uma livraria. Olhamos à nossa volta, e quer estejam muitas ou poucas pessoas presentes, ficamos sempre sozinhos com os milhares de mundos por descobrir à nossa volta. Salta-nos ao olhar um autor já nosso conhecido; um título interessante; uma capa convidativa.
Peço a quem esteja a ler este post que feche os olhos por um momento, e reviva esta sensação de transe, em que o quase que para tempo para.
Finalmente elegemos um entre muitos, que durante algum tempo nos fará companhia e mostrará algo que não vimos ainda. Saímos, e quando nos deparamos com o quotidiano cá fora e olhamos para o relógio, podem ter passado cinco horas ou cinco minutos, mas parecer-nos-ia igual.