sábado, 20 de novembro de 2010

Géneros Literários (6.1) - Forma e Conteúdo


E chego finalmente àquele que é talvez o assunto mais importante em toda esta história das classificações. A forma e o conteúdo. Já falei disto em vários posts anteriores, mas chegou a altura de me debruçar a sério sobre este assunto. Vamos por partes.

Porque é que quero falar sobre isto?

Bem, por uma razão muito simples. Praticamente toda a gente conhece Nicholas Sparks e os seus livros. Classifiquem um qualquer. Disseram/pensaram em romance? Não está errado. Mas porque é que disseram romance? Porque tem uma história de amor? Nesse caso estão errados. Os livros do Stephen King também são romances, e histórias de amor não são bem a especialidade dele.

Outro exemplo. 3 livros: Se Acordar Antes de Morrer, O Fantasma de Canterville e outros contos e Os Contos de Beedle o Bardo. Conhecem-nos? São todos livros de contos. Isto diz-vos alguma coisa, em termos de conteúdo? Nem por isso. Ou seja, se eu em vez de ter dito os títulos, tivesse apenas dito que tinha 3 livros de contos, e tirasse um à sorte, podia-me calhar, respectivamente, um livro de ficção científica, um de humor, e outro de fantasia!

Ou seja?

No fundo, aquilo que eu estou a tentar explicar, é que há uma diferença entre o formato da história, e o conteúdo da mesma. Um romance pode ser de ficção-científica, de terror, de fantasia, histórico, de mistério, de tudo e mais alguma coisa, assim como os contos, as novelas e outros tipos de textos.

E qual é essa diferença?

Não é nada de muito complicado... É apenas isto: ao classificar um livro, é preciso classificá-lo quanto ao seu formato, e quanto ao seu conteúdo. Quer disto dizer que um livro pode ser um romance, um conto, uma novela, um ensaio, etc. (dentro do género narrativo); um soneto, um haiku, um vilancete, etc. (dentro do género lírico); um auto, um musical, uma ópera, etc. (dentro do género dramático), mas todos estes textos, quanto ao conteúdo, podem ser de ficção-científica, de fantasia, de terror, de amor, de mistério, e por aí adiante. Embora, na realidade, isto não seja assim tão linear quanto isso, já que uns textos têm mais tendência para umas coisas do que para outras.

De onde vem este "erro"?

Para ser sincero, não faço a mais pálida ideia. Deduzo que se deva, em grande parte, à generalização de alguns termos para nos referirmos a outras coisas, como o romance e a novela, por exemplo, dando-lhes assim conotações que dificilmente associamos a alguns livros. Por exemplo, dizer que "A Metamorfose" (1,2), de Kafka, é uma novela, soa-me muito mal, mas é isso que o livro é, e não tem nada a ver com nenhuma telenovela. Ou até mesmo dizer que os livros do Stephen King são romances... Assim de repente, até me parece blasfémia! Mas é porque eu, como a maior parte das pessoas, associa romance ao amor, e não a um livro extenso, com determinadas características.

(continua)

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