quarta-feira, 9 de setembro de 2009

1984


Escrito em 1948, este livro retrata um hipotético futuro, onde o Estado tudo controla. Desde todas as acções de todos os membros do Partido, através dos telecrãs, instalados em todas as casas, até aos mais íntimos pensamentos, através de qualquer coisa que destaque uma pessoa. Foi para casa por um caminho diferente do que é costume? Suspeito. Tem um tique nervoso? Suspeito. Qualquer coisa que pudesse revelar uma luta interior de pensamentos, ou um estado de nervosismo, ou a mudança de hábitos, era alvo de suspeitas, e, na maioria dos casos, levava mesmo à prisão e tortura.

O objectivo do Estado, que toma a forma do Grande Irmão, e do Partido Interno, é controlar toda a gente, para que ninguém se oponha às suas ideias. Desde que nascem que as crianças são ensinadas a desconfiar de tudo e de todos, chegando muitas delas a espiar e denunciar os próprios pais. Todos os dias, os telecrãs passam os "Dois Minutos de Ódio", em que aparecem imagens do suposto inimigo do Partido, Emmanuel Goldstein, a gritar as suas ideias revolucionárias. Durante esses dois minutos, as pessoas são incentivadas a insultar Goldstein, gritar a plenos pulmões, e atirar coisas ao telecrã. Tudo para demonstrar como são a favor do Partido, e que aquelas ideias são absolutamente erradas.

Neste futuro, o mundo encontra-se dividido em Oceânia, Eurásia e Lestásia, e a sociedade da Oceânia está dividida em Partido Interno (os mais afortunados), Partido Externo (a classe média), e proles (a classe baixa, a quem o Partido dá total liberdade, mesmo de pensamento, tão fraca é a ameaça deles ao Partido), e está em criação uma nova língua, a novilíngua, cujo objectivo é encurtar o vocabulário, para oprimir a maneira de uma pessoa se expressar. Se não existir a palavra "revolução", o seu conceito deixa também de existir, eliminando qualquer hipótese de revolução.

Winston Smith, um membro do Partido Externo, sente-se compelido a escrever um diário, para pôr em papel as suas ideias revolucionárias contra o Partido, enquanto tem todos os dias, praticamente a toda a hora, fingir que nada se passa. Quando se apaixona por Julia, e simpatiza com O'Brien, um membro do Partido Interno, Winston vê-se envolvido em algo que não estava à espera...

Todo o livro é uma forte crítica ao totalitarismo, como o nazismo e o fascismo, por exemplo. Mas é também uma crítica a praticamente toda a política, com esta história de procurar o poder, pela simples ideia de ter poder. Do poder ser o objectivo, e não o meio, através do qual se ajuda as pessoas. O que é verdade, hoje em dia, em praticamente todo o lado. O que torna este livro extremamente actual, apesar de ter sido escrito há 61 anos, e faz dele um dos melhores livros de sempre.

2 comentários:

coordenadores de leitura disse...

Pois é, ainda te deves recordar de um programa televisivo que fez furor há poucos anos:o Big Brother (e afins), a ficção tornada realidade, curiosamente numa sociedade democrática e não totalitária, como em 1984.É por isso um bom pretexto para uma profunda reflexão.

Fátima P.

Rui Bastos disse...

Lembro pois, foi o Orwell que inventou todo o conceito do "Big Brother", da vigília constante!