sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Crime no Vicariato


Autora: Agatha Christie
Tradutor: Carlos Lobo


Opinião: É impressionante como esta autora nunca deixa de me surpreender. Sempre que pego num livro de Agatha Christie, já sei que vou gostar, e este não foi excepção, mas há sempre qualquer coisa que me deixa ligeiramente boquiaberto.

Os casos mais gritantes são As Dez Figuras Negras, com um desenrolar fantástico e um fim para lá de soberbo, e O Assassinato de Roger Ackroyd com o seu narrador peculiar e um final novamente para lá de soberbo.

Este Crime no Vicariato seguiu pelo mesmo caminho. O narrador e a presença tangencial de Miss Marple são análogos ao narrador e à presença tangencial de Poirot em O Assassinato de Roger Ackroyd. Por momentos pensei que fosse pelo mesmo caminho, mas fiquei bastante satisfeito por ter um narrador assim, divertido, peculiar e extremamente cativante.

Aliás, acho que nunca li um narrador parecido em mais lado nenhum, o que é dizer muito! Agatha Christie já deve ser das autoras a nível mundial de quem se fala melhor, mas se ainda existir alguma alminha que duvide das suas capacidades, estes livros são uma prova fortíssima da sua qualidade.

O cenário é o do costume: pessoa morre em circunstâncias misteriosas e toda a gente nas redondezas parece ter tido motivo e oportunidade para o fazer. As personagens são extremamente realistas - e britânicas - e o enredo é intenso. Pelo menos a mim, deixou-me preso do início ao fim.

Já o final não é propriamente o do costume, e por causa disso foi bastante satisfatório, levando o livro, de certa forma, para muito perto do panteão dos outros dois livros que mencionei ali em cima.

Este narrador de que tanto falo é o próprio vigário, um homem interessante e relativamente blasfemo, para um homem da Igreja. A sua mulher (nada de estranho, eles podem fazer isso por aqueles lados) oscila entre irritante e ternurenta, mas nunca se torna aborrecida, e embora algumas personagens caiam um bocadinho de nada no exagero, não deixam de ser bastante realistas.

Tudo isto para dizer que gostei muito desta leitura e que a aconselho vivamente, especialmente se forem fãs da autora!

P.S.: um dia destes escrevo qualquer coisa sobre presenças tangenciais em livros...

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