terça-feira, 25 de maio de 2010

A Quinta dos Animais


Depois de ler "1984", graças às influências de um certo e determinado fórum, fiquei com aquela necessidade de ler mais qualquer coisa do autor. Alguma pesquisa, e descobri que mais ou menos na mesma linha do "1984", o autor tinha este "A Quinta dos Animais", que entrou automaticamente para a lista.

E não é que na Feira do Livro deste ano, o vi ali, esparramado, com uma edição toda janota, o nome fielmente traduzido do original (as outras edições mais antigas já passaram por "O Triunfo dos Porcos", "O Porco Triunfante" e "A Revolução dos Bichos"), e a um preço jeitosinho?

Como é óbvio, nem pensei 2 vezes. Acho que nem 1. Peguei nele, paguei e zarpei para a banca seguinte.

E, claro, assim que tive oportunidade, comecei lê-lo. Eu já sabia de antemão que era uma crítica ao Comunismo (nomeadamente à Rússia), e tinha assim uma ideia dos traços gerais da história, mas isso em nada me estragou o prazer da sua leitura. Pelo contrário, até me preparou, deixando-me mais atento a certos aspectos.

Logo no início, Major, um velho porco (um porco mesmo, com 4 patas, e cor-de-rosa, não estou a falar desse tipo de velhos), faz um discurso aos seus companheiros da Quinta do Infantado, e usa a palavra "camaradas" meia-dúzias de vezes. Palavra essa que é muitas vezes associada ao estereótipo dos comunistas. Major disse depois que desejava que a Quinta fosse um sítio onde todos vivessem felizes, e onde todos os animais fossem iguais. Major morre, e Napoleão e Bola-de-Neve, os dois porcos mais espertos, seguem as suas palavras, e dá-se a Rebelião, na qual se expulsam os habitantes humanos da quinta.

A partir daí temos, no fundo a descrição de uma sociedade comunista, só que com animais, e limitada a um espaço muito mais confinado (uma simples herdade, comparativamente a um país inteiro), e claro, a parte importante da obra, os problemas de tal sociedade, e aquilo que a leva a uma sociedade totalitária. A crítica podia ser aos ditadores em geral, mas vai-se tornando, claramente, numa crítica principalmente a Estaline.

É interessante de ver como os Mandamentos (as regras da quinta pós-Rebelião), são alteradas à medida que os porcos vão precisando de as infringir. Não posso deixar de referir o último, "Todos os animais são iguais.", que é depois mudado para "Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros.", que é, no fundo, e embora seja triste, aquilo que acontece em praticamente todas as sociedades.

Livro bem escrito, em que o autor teve o cuidado de não "elaborar" demasiado, para que pudesse ser facilmente traduzido, mas que mesmo assim não perdeu nada do seu valor literário e crítico, já que se nota bem que ambos (ainda que especialmente o segundo), são bem fortes. Um livro a não perder, especialmente se já se for fã de Orwell!

2 comentários:

Célia M. disse...

Fico contente por teres gostado! Até agora, ainda não li nada deste autor que me tivesse desiludido :)

Rui Bastos disse...

Nem eu! Se bem que eu ainda só li dois livros :p