sábado, 15 de fevereiro de 2014

Estantes Emprestadas [2]: Literatura Potteriana [2/2]


Depois de "alguma" divagação, a Júlia lá conseguiu chegar ao cerne da questão e começar a realmente debitar o que as personagens da saga do Harry Potter leriam. Quando lhe pedi que escrevesse isto, consegui ver logo as engrenagens (ou o tico e o teco, como ela diz) a funcionar furiosamente, e fiquei intrigado com o que iria sair daquela cabecinha.

Tendo lido isto tudo já há algum tempo (muahahahahah) fiquei logo satisfeito. Espero que tenham gostado da primeira parte e que gostem desta segunda. Se não, digam que sim, para ela não me bater, pode ser?

Hum, quer dizer, obrigado Jules!


Literatura interespécies? Intraespécies? Não sei...

Há, no entanto, um ponto que não sei bem resolver. Além de seres mágicos e fantásticos, temos mais seres inteligentes que não os humanos. Temos centauros, goblins, seres que terão direito a literatura própria, não? Faria sentido, não têm os mesmos gostos, não partilham a mesma cultura, até mesmo o contacto entre raças é “evitado”. Dentro de cada uma reside uma cultura literária. Um pouco como mundo muggle vs. Mundo mágico, apenas que eles partilham o mesmo mundo. Portanto sim, literaturas separadas parece-me muito razoável. 

Óbvio é que tem de haver uma boa margem para divagações no mundo muggle. Nós temos no mundo deles, porque não hão-de fazer o mesmo? Vejo é as histórias imaginadas no nosso mundo a serem patetas, livros cómicos com as coisas “estranhas” que nós fazemos (patinhos de borracha.. quem diabo é que pensa nisso..) ou então histórias muito negras, bizarras, sobre como conseguimos ser tão maquiavélicos, esquemas, traições e enganos. E não esquecer os guias de convivência e de “usos e costumes”: como lidar com mugles? Como falar com eles? O que fazem os mugles? Como vivem os mugles? Adorava ler um livro desses. Mas enfim, de certeza que há mais coisas mas para mim estas são os best sellers da secção.

Toda a imaginação e capacidades literárias inerentes à escrita de um bom livro (e mínima aceitação do mesmo, embora um não traga o outro) não são exclusivas deste mundo. Enredos, mistério, suspense, uma boa escrita, cativante e até bonita, nada disso é alterado por passarmos para lá das barreiras mágicas. E mais a mais a sensibilidade deles é diferente, têm outras vivências com com certeza alterarão a visão que têm do mundo, o que de certeza se reflectirá na escrita. 

Now, backwards...

Só por curiosidade, e já que me meti a pensar nestas coisas, também me veio à ideia o que leriam as personagens que nos foram apresentadas na saga no nosso mundo. Por estranho que pareça a resposta para praticamente todos foi imediata. Alguns surpreenderam-me bastante, e não tento sequer explicar de onde vêm estas ideias, simplesmente não faço ideia.

Muita BD para o Ron. BD do tipo deles ainda por cima, nem precisa de imaginar as coisas, já tem pequenos vídeos que fazem o trabalho por ele. Não o vejo a ser um leitor compulsivo. Mais um leitor de contos de terror, pequenas coisas que o deixam curioso mas que no fundo não queria ler; e BD. Essencialmente grande fã dos quadradinhos. Coisas que puxem menos ao “pensamento” e mais à parte visual (não lê um V for Vendetta ou um Watchmen). 

Um Dan Brown para o Harry. Uma leitura engraçada, um bocado a dar para o comercial, mas bem cotada. Acho que se enquadra no estilo, gosta de ler mas muito para mostrar, ler o que aparece em destaque nas livrarias como sendo uma boa leitura. À parte do fanatismo desportivo, claro, um livrinho da história do desporto de vez em quando.

Serviria um belo dum calhamaço para o Neville, tem ar de quem me apareceria à frente com um King de mil e tal páginas na mão. Para mim era um apreciador disfarçado de ficção científica, de suspense, um policial de vez em quando. 

É com uma boa parte de gabarolice que me comparo, a mim e aos meus parceiros literários, com a Hermione, e como tal o que imagino para ela é um pouco o que eu faço. Bons livros, vários autores, vários estilos e géneros, aprendendo novas coisas em cada um. Alargando sempre os horizontes literários e querendo conhecer cada vez mais. 

Já para a Ginny imagino-a uma verdadeira menina em termos literários, apaixonada por romances históricos, românticos, misteriosos, perigosos q.b. e com cenários que fazem sonhar. Pequenas incursões em géneros diferentes, para tentar variar um pouco, mas sempre com a praia dela em Jane Austen e afins. 

Agora, e acho que foi a ideia mais estranha que tive, mas a primeira de quem me lembrei
foi a Luna. E não faço a mais pálida ideia porquê, mas o autor que automaticamente me saltou à imaginação foi Balzac. Não faço ideia, mas a Luna é tão louca. Grandes dissertações filosóficas que ninguém consegue perceber de onde vieram devem ser a praia dela. Misteriosa como é de certeza que na mesinha de cabeceira teria livros de como cuidar de Nargles e bichos estranhos afins, ao lado da Fisiologia do Casamento. Ela tem o mundo dela, ninguém a pode perceber, e é genial muito por isso. 

Deixem-me sonhar...

Confesso que adoraria ir a uma biblioteca do mundo mágico. Nem vou falar das possíbilidades da própria biblioteca em si, vemos as bibliotecas monumentais que temos por cá, seja a magnífica Biblioteca do Convento de Mafra ou a tão afamada Livraria Lello, agora tudo isto com um tecto estilo Salão Nobre ou um sistema de categorias tipo Gringotts. Nem pensar é bom. 

Agora a biblioteca em si. Os livros. As categorias. As divisões por espécie. A imensidão das prateleiras. Nem sei. Havia potencial para algo demasiado grandioso sequer para o que a minha imaginação consegue assegurar.

Além de tudo isto havia sempre o bónus de podermos estar a folhear um livro qualquer, olharmos para o lado e temos um centauro calmamente a ler o jornal. Bem, para isso acontecer já o regime de centauros tinha de ter sido alterado e a sociedade mágica teria de estar um pouco diferente mas esqueçamos tudo isso e acreditemos nessa possibilidade de qualquer das formas.
Pode ser que sim... Um dia... 

Bottomline... ... ...

Isto custou a começar, mas pegando no computador foi ver aparecer as páginas! Depois de muita edição neste texto consegui juntar algumas das minhas ideias nesta matéria. Não sei bem se segui bem o tema, mas disseram-me para pensar nisto e escrever e bem, foi isto que saiu. 

Uma coisa é certa: mesmo que tenha divagado um pouco diverti-me imenso a escrever isto tudo. Harry Potter é uma saga que eu realmente gosto, num mundo que acho bem criado e que me consegue sempre prender a ele. 

No fundo fiquei, desde o início, bastante contente por poder fazer parte desta ideia genial do Rui e pelo próprio tema que me “calhou”. Dava-me asas para escrever sem restrições, num assunto que não teria pensado desta forma e que é perfeito para mim. Harry Potter e livros. Nem sei!

Além de tudo ainda me deixou ter uma perninha neste blog fixe que me dá sempre que ler e enche a minha lista de leituras próximas, não é verdade Sr. Rui? Enfim, adorei a experiência, perdoem-me o fanatismo casual e as ideias estranhas que possam ter aparecido eventualmente. Obrigada Rui... :)

2 comentários:

Jules Pijey disse...

Tico e o Teco.. *.*
Well, está tudo dito, não é? Este blog nunca mais será o mesmo! Mas foi awesome.. :)
Adorei!

Rui Bastos disse...

Confirma-se :) Thank you again!