sexta-feira, 12 de julho de 2013

The Blade Itself (The First Law #1)

Título: The Blade Itself
Autor: Joe Abercrombie

Sinopse: Logen Ninefingers, infamous barbarian, has finally run out of luck. Caught up in one feud too many he's about to become a dead barbarian, leaving nothing behind but bad songs and dead friends.

Jezal dan Luthar, paragon of selfishness, has nothing more dangerous in mind than winning glory in the fencing circle. But war is brewing, and on the battlefields of the frozen North they fight by altogether bloodier rules.

Inquisitor Glokta, cripple turned torturer, would like little better than to see Jezal come home in a box. But then he hates everyone. Cutting treason out of the heart of the Union one confession at a time leaves little room for friendships - and his latest trail of corpses could lead straight to the rotten heart of government... if he can just stay alive long enough to follow it...

Opinião: Depois de Best Served Cold, decidi aventurar-me na trilogia The First Law do autor. Os dois gajos que me aconselharam o primeiro também aconselharem estes 3, e embora as primeiras opiniões não sejam muito boas, ambos deliraram ligeiramente com o último livro.

Como gostei bastante de ler Abercrombie, não foi uma decisão difícil pegar em mais livros dele. Graças a isso, as expectativas eram altas. Mas este primeiro livro, para mim, só tem 3 coisas verdadeiramente excepcionais: a edição, o título, e Sand dan Glokta, o Inquisidor aleijado com o sorriso mais repulsivo de sempre.

As edições que já vi dos livros deste autor são todas tão boas que até metem nojo. Dá vontade de as ter nas estantes e pegar nelas de vez em quando para sentir a textura. Os títulos também são todos espectaculares: Best Served Cold, The Blade Itself, Before They Are Hanged, Last Argument of Kings, e por aí adiante. Este tipo tem um dom para os títulos, um dom que aprecio muito, não tivesse eu sempre dificuldades em arranjar títulos para o que escrevo.

E depois há Glokta. No meio de uma história que é principalmente política, mas que também tem sangue e tripas, como é óbvio, há montes de personagens, a maior parte das quais bastante bem construídas, e uma grande porção dessas mesmo muito interessantes.

Bayaz, the First of the Magi; Logen Ninefingers, ocasionalmente conhecido como the Bloody-Nine; Major West, soldado honesto e uma das poucas pessoas minimamente razoáveis ao longo do livro todo; Jezal dan Luthar, ainda que chato e convencido como a porra, e tantas outras personagens...

Mas nenhuma, repito, nenhuma, chega aos calcanhares de Glokta. É uma personagem genial e uma das melhores personagens que já na minha vida. Soldado capturado pelos Gurkish, é torturado durante 2 anos. No fim é um aleijado com menos de 30 anos, praticamente incapaz de se levantar sozinho da cama, deformado e com partes do corpo em falta, nomeadamente os dentes. Arrancaram-lhe metade, mas de forma a que tivesse dentes e vazio alternados em cada maxilar, e dentes em cima de vazio e vice-versa, dum maxilar para o outro.

Ou seja, tem metade dos dentes, mas não pode comer nada sólido, porque é incapaz de mastigar. Tem os dentes, mas são inúteis. Isso, juntamente com tudo o resto que lhe sucedeu, faz dele uma personagem implacável, um Inquisidor bem lixado, e uma personagem genial.

Os seus capítulos são sem dúvida os melhores, e as observações mentais que faz para si próprio são quase sempre hilariantes. Com um sentido de humor excepcional e uma personalidade justificadamente cruel, com requintes de malvadez permeados de um bom um coração, Glokta é a melhor coisa que este livro tem para oferecer.

Provavelmente a culpa deste livro ser apenas mediano é o facto de ser o primeiro de uma trilogia. Em Best Served Cold aconteceu tanta coisa que eu esperava o mesmo ritmo para esta leitura. Mas são livros bem diferentes, e este acaba por ser mais parado, com mais tramas políticas e esquemas manhosos a serem desenvolvidos à vista de todos, mas sem que nunca se perceba muito bem o que se está a passar.

Espero que no próximo livro as coisas avancem mais um bocado, porque já há tanta coisa para descobrir que nem sei...

2 comentários:

Ana/Jorge/Rafa/Júlia disse...

"Body found, floating by the docks, bloated beyond recognition..."

Jorge

Rui Bastos disse...

Eu já só me rio, quando isso aparece...