Mostrar mensagens com a etiqueta João Barreiros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João Barreiros. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Conversas Imaginárias 2015


Devido às obras na Biblioteca de Telheiras, este ano não foi possível haver Fórum Fantástico. Mas o Rogério Ribeiro e o João Campos, incapazes de estarem quietos, lá se esforçarem para trazer um mini-evento em substituição. Estas Conversas Imaginárias, que pelo que percebi, já se tinham feito noutros anos.

O resultado foi positivo. O espaço partilhado entre a livraria Fyodor e o Café Ideal foi pequeno para tanta gente que lá apareceu de início e que lá esteve durante boa parte da tarde, mas chegou. O único defeito foram mesmo os problemas de som, já que sem microfones, com barulho de pessoas aleatórias a comprar livros na Fyodor, tornou-se difícil ouvir certas partes das conversas.

No entanto foi bom ver António de Macedo a falar bem como sempre, e a anunciar livros e filmes como se fosse um jovem, apesar da saúde fragilizada. Só por isso valeu a pena!

As três conversas, Universos Partilhados, O Fantástico e o Real, e Iniciativas em Comunidade foram todos muito interessantes, com convidados como Luís Filipe Silva, João Barreiros, o já mencionado António de Macedo, David Soares, Carlos Silva pela Imaginauta, o responsável da H-Alt, a Liga Steampunk, Ricardo Lourenço pelo Projecto Adamastor, e João Campos, Artur Coelhos e Cristina Alves a juntarem-se a João Barreiros para a já habitual sessão de recomendações que dura mais do que devia.

Pelo meio houve ainda tempo de se venderem os primeiros exemplares da Colecção Barbante, que inclui um conto meu, muito convívio e muitas conversas entre partes de uma comunidade que gosta de se chatear consigo própria, mas que não resiste a estes momentos de autêntica confraternidade.

Pela minha parte comprei livros recomendados pelo Luís Filipe Silva e editados pelo João Barreiros (A Pegada, de Larry Niven e Jerry Pournelle, ambos os volumes) e um livro aprovado por Rogério Ribeiro (Under Heaven, de Guy Gavriel Kay), recebi uns marcadores impressos em 3D pelo professoris excepcionalis Artur Coelho (duas Enterprise e um Dalek, para partilhar com a namorada) e conheci amigos virtuais (Luiz, foi um prazer).

Uma tarde bem passada, e a prova de que basta esta malta juntar-se que acontecem coisas porreiras.

sábado, 1 de agosto de 2015

Entrevista? A mim? A sério?


Pois é, esta revista online brasileira, a Nonata, entrou em contacto comigo para me entrevistar, enquanto blogger, sobre releituras. Podem ver as respostas aqui.

Um obrigado à Nonata, em especial ao Jáder Santana, que foi quem me contactou, e um apelo a que sigam esta iniciativa, da qual talvez ainda tenham notícias da minha parte!

(Sei que é um recomeço um bocado curto, depois das mini-férias do blog, mas já é qualquer coisa!)

sábado, 30 de maio de 2015

Estantes Emprestadas [17] - "Comunicado"


A crónica deste mês é especial. Talvez seja melhor descrevê-la como peculiar, já que desafiei, nem mais nem menos, do que a malta da Imaginauta, chefiada pelo Carlos Silva e o Vítor Frazão. Por entre várias iniciativas, o objectivo deles é estimular a escrita e a leitura de ficção especulativa. Por cá tenho tentado ajudar, com divulgação em primeira mão de sinopses do livro que depois comprei e li, Comandante Serralves: Despojos de Guerra, que tem contos muito bons e cria um universo partilhado muito interessante; e com a participação na iniciativa natalícia Operação Livros no Sapatinho, que teve direito não a uma, não a duas, mas a três respostas! Isto para além da divulgação que vou fazendo das suas várias iniciativas. Eu bem tento, que se há projecto que merece, é este!

Por agora fiquem com a minha parte do desafio, que esforcei-me. A resposta há-de surgir nas proximidades.



*início de gravação*

Está a gravar? Isto está... Raios parta a gerigonça, está ou não? Onde é que eu meti as instruções... Hum... Aqui... Deixa ver. Carregar aqui, ali, já está, se estiver a luz acesa, está a gravar. Ah!

Desculpe lá isto, mas ainda não me entendo com o hologravador Bem, não interessa. Estou-lhe a enviar esta mensagem porque hoje apareceu um sujeito na minha banca a vender-me uns livros que achei muito estranhos. Aliás, o sujeito também era bastante estranho, e nunca sequer o tinha visto por estas bandas.

Comprei os livros para os manter debaixo de olho, mas ele ainda me disse que depois me arranjava mais. Antes de lhe conseguir perguntar alguma, desapareceu. Esteve o tempo todo com um capacete que não deixava ver-lhe a cara e que devia ter um modulador de voz.

Mas pronto, vamos ao que interessa. Já enviei os livros para o seu gabinete pelo comutador quântico que mandou instalar aqui no meu armazém. De qualquer forma, são os seguintes. "Intermitências da Morte", de um José Saramago, tem um aspecto muito estranho, muito simples, sem grandes desenhos, e pelo que folheei, parece ter texto muito denso.

Há também um muito, muito estranho, um "Terrarium", de João Barreiros e Luís Filipe Silva. Nem sequer percebo como podem duas pessoas escrever o mesmo livro, na altura em que isto foi publicado ainda não existiam osciladores de matéria... Mesmo agora, para fazer alguma coisa assim era preciso ser-se um génio!

O último é o mais chocante. "V de Vingança", de Alan Moore, quase não tem texto. Está é recheado de imagens. Para lhe ser sincero, este assustou-me mais do que os outros. Ainda se as folhas fossem ecrãs orgânicos ultra-finos, mas não, são só imagens estáticas. Nem lhe mexi mais.

Aquilo que acho mais estranho é estarem imaculados, apesar de terem séculos de idade. Por favor diga-me como proceder.

E agora onde é que se desliga isto? Hum... Deve ser aq...


*fim de gravação*

http://imaginauta.net/

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A Sombra sobre Lisboa [3/3]


Autores: Rogério Ribeiro, Safaa Dib, Luís Filipe Silva, João Henrique Pinto, David Soares, João Seixas, António de Macedo, Rhys Hughes, José Manuel Lopes, Fernando Ribeiro, Yves Robert, Vasco Curado, João Ventura, João Barreiros
Tradutor: João Henrique Pinto (para o conto do Rhys Hughes)


Opinião: Depois disto e disto, termino aqui a minha opinião sobre este livro. Os cinco contos de que ainda não falei são encabeçados por Mastodon, de Fernando Ribeiro, que conta com uma escrita fantástica. O tom é mais íntimo do que narrativo, o que acaba por funcionar muito bem para o tipo de história, que à semelhança da anterior, de José Manuel Lopes, tem todo o ambiente de Lovecraft sem ser propriamente de terror.

Acerta em cheio no imaginário, mas escreve um conto... bonito. Quase poético. Muito diferente daquilo que Lovecraft costumava escrever, mas bastante fiel ao seu estilo. Agradou-me bastante, tudo isto!

O conto seguinte é A ameaça rastejante, de Yves Robert. A minha opinião não está propriamente formada, porque é tudo muito meh. A escrita é mediana, a história é mediana - com alguns momentos a deixarem muito a desejar - e o fim também é mediano. Fica a faltar caracterização das personagens e enfim, mais qualquer coisa!

Em A Hora, Vasco Curado conta uma história interessante, mas que não fica na memória. A escrita é boa, talvez das melhores desta antologia, e a história é interessante, mas não propriamente marcante.

Já em Num túnel em Lisboa, João Ventura desenvolve uma narrativa peculiar e interessante, com um bom ritmo e descrições arrepiantes dos subterrâneos lisboetas. A interrupção das obras no metro da Baixa faz todo o sentido, quando vista por esta luz, e a forma como o conta é realmente boa. Ventura tem uma escrita distintiva, embora seja muito fluido em termos de estrutura, e isso nota-se aqui, adaptando-se quase na perfeição ao estilo de Lovecraft, sem nunca perder as características marcantes da sua escrita!

Por fim, e para terminar em grande, Por detrás da luz, de João Barreiros, sem dúvida o conto de que mais gostei nesta antologia, não só pela sua qualidade intrínseca, mas porque consegue juntar escrever um conto lovecraftiano de FC. É qualquer coisa!

Os detalhes que compõem o mundo de forma quase sup-reptícia são fantásticos como sempre, e antes de dar por ela já estou completamente imerso no universo do conto. A escrita mordaz e ríspida de Barreiros agrada-me bastante, e já há uns tempos que não lia nada dele, portanto isto soube-me bem.

Acho que talvez se tenha arrastado um pouco, mas consigo imaginar o autor a entusiasmar-se enquanto escreve, sempre com vontade de enfiar mais duas ou três ideias e conceitos numa narrativa já repleta de tudo e mais alguma coisa.

Há horror, há FC da dura, há amor, há traição, há um excelente desenvolvimento de personagens, há uma excelente trama, descrições fantásticas e um ritmo absolutamente frenético!

É uma boa forma de terminar. A antologia é um livro forte, com algumas falhas mais previsíveis do que outras, e que é, acima de tudo, coerente, o que só por si já é de louvar, e de que maneira! Confesso que foi uma leitura penosa, mas ninguém me mandou ler estas páginas todas sobre a mesma coisa. Torna-se repetitivo, e só o meu amor à camisola é que me manteve de livro aberto... Mas no fim foi uma muito boa leitura, e uma que aconselho, sem sombra de dúvida.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A Bondade dos Estranhos

Autor: João Barreiros


Opinião: Só existem duas razões para alguém não saber que João Barreiros é um dos meus autores favoritos de sempre: ou esse alguém não convive o suficiente o comigo, ou então não segue o blog há tempo suficiente. Como alguns amigos meus podem comprovar, eu sou um tipo chato, e Barreiros é um dos autores que eu mais tento impingir.

Já lhe li um número razoável de obras, incluindo o magistral Terrarium, que escreveu em conjunto com o Luís Filipe Silva, outro escritor que admiro e cujas críticas ouço com frequência (e atenção, eu prometo) nas sessões da Oficina de Escrita da Trëma, que continua por aí em modo semi-clandestino.

A minha opinião geral é que Barreiros é um fenomenal escritor de ficção científica. A forma como cria universos para as suas histórias e situa o leitor nesses mesmos universos com pistas subtis mas que contextualizam o todo na perfeição... Muito bom, muito bom mesmo!

Mas depois de ler este A Bondade dos Estranhos, fiquei desiludido. A caracterização está lá, mas apressada. As personagens interessantes também, mas exageradas ao extremo. A história tem uma qualidade discutível. Em suma, um livro que fica muito aquém dos padrões de qualidade deste autor.

Vamos devagar. O Projecto Candy-Man era um projecto de Barreiros, do já mencionado Luís Filipe Silva e ainda de outro autor, João Seixas. A ideia era escrevem uma trilogia, iniciada por este livro, dentro deste universo, enriquecendo-o e, imagino eu, contando uma história maior que a soma das três histórias.

Não sei porquê, mas os volumes seguintes não existem. Cada um dos autores ia ter um livro a seu cargo, mas até hoje (e este foi lançado em 2007) só existe este. É uma pena, porque acho que com projectos destes é que o Fantástico português podia avançar como deve ser.

Eu percebo é pouco dessas coisas, portanto vou-me focar mais neste livro. Imaginem que existem três espécies alienígenas a conviver connosco de forma relativamente pacífica, com as habituais intrigas políticas e afins à mistura. Agora imaginem que uma dessas raças decide andar a brincar com seres humanos, dando uns comprimidos especiais a alguns escolhidos que lhes dão alguns... poderes, vá.

Agora imaginem que uma das pessoas que tomaram esses comprimidos é contratada para tomar conta de quinhentos putos (que são mais lagostas do que outra coisa) alienígenas. A ideia é interessante, mas não tanto quanto isso, e a execução parece-me pobre, especialmente para o autor que é.

Barreiros tem um dom para caracterizar cenários, universos e personagens, é certo, mas usa esse dom de forma um bocado caótica ao longo das páginas deste livro. O resultado é uma enorme sensação de "quero saber mais". Acaba por acontecer tudo demasiado depressa, e a informação que Barreiros passa em poucas linhas é pura e simplesmente demasiada para ser assimilada como deve ser.

Talvez isto tenha acontecido por o autor estar mais habituado a contos, onde brilha verdadeiramente? Não tenho a certeza. Sem saber, diria que este livro foi escrito bastante depressa, e que das duas uma, ou é uma expansão de um conto, ou um romance enorme bastante cortado. Porque a sensação é exactamente a de algo incompleto.

Só há uma coisa que me chateou mesmo muito: a protagonista. Deve ser uma das personagens mais irritantes que já encontrei, e embora isso seja levemente intencional, para transmitir a ideia de uma rapariga que não confia em ninguém e que se defende do mundo exterior sendo uma pain in the ass armada aos cucos, essa ideia acaba por transparecer menos do que o facto de ela ser uma chata do caraças. O livro tem 150 páginas e eu já não a podia ver à frente!

E depois, claro, o final apressado não ajudou a nada. É verdade que gostei mais da segunda metade do livro, quando as coisas se desenvolvem como deve ser e os planos estranhos se desenrolam por ali fora, mas continuei a achar apressado e, pior do que isso, sem grande sentido. As motivações pareceram-me fracas, e o fim, ainda que a tender para épico e recheado de conceitos fantásticos, como todo o livro, não me agradou nem um bocadinho. Demasiado simples não é a melhor expressão, mas pronto, foi isso.

Para terminar, eu que normalmente venero tudo o que este homem escreve, vou ter que guardar este livro na estante dos mal comportados. O estilo típico de Barreiros está claramente lá, mas de tal forma diluído que não consegue fazer do livro algo bom.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A mina do deus morto



Título: A mina do deus morto
Autor: João Barreiros

Opinião: Barreiros é um escritor que ainda não me desiludiu. Conto, livro, novela, ou calhamaço partilhado, de tudo tenho gostado.

E em A mina do Deus morto, o autor volta a repetir a gracinha. A sua capacidade em escrever algo que se situa num universo muito maior, complexo, detalhado e por ele criado, é fenomenal.

Consegue situar o leitor, não o deixando perder-se em referências, explicando apenas o suficiente para que sejamos capazes de apreender o resto.

A forma como o faz dá uma excelente caracterização ao espaço implacável e cru em que a história se situa.

Mas no meio disto tudo a história não fica para trás! O pó divino, restos mortais de um antigo Deus, que aumenta a capacidade cognitiva e chega mesmo a devolver vida, é uma ideia fascinante e bem explorada nesta história dominada pela electricidade.

Este é, resumindo, um conto que deixa água na boca, bem escrito, e recheado de ideias e pormenores fascinantes.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Terrarium: Um romance em mosaicos

Título: Terrarium: Um romance em mosaicos
Autores: João Barreiros e Luís Filipe Silva

Sinopse: Cada um deles - João Barreiros e Luís Filipe Silva - já foi publicado sob responsabilidade da colecção Caminho Ficção Científica, em livros que se pode dizer marcantes. Sem favor. E pessoais, bem diversos. Agora, revelam-nos uma brilhante ousadia ao escreverem um vasto livro a dois: Terrarium: Um romance em mosaicos. Complexa, veemente, entusiástica, esta obra tem, além do mais, um fôlego e um ímpeto pouco frequentes. Os autores conseguem manter vozes próprias que ecoam nos capítulos sem se misturarem por completo. Terrarium é realmente um mosaico colorido que forma uma espécie de mural, ou, talvez melhor, azulejos que aparecem e desaparecem, que seduzem e enganam, que aumentam ou diminuem, num resultado móvel e caleidoscópico. Em constante movimento, portanto. Com tudo isto, não será exagerado acrescentar que este livro intrigará e, no mínimo, divertirá qualquer leitor. Até ao fim - até as alternativas finais.

Opinião: Este livro é um livro especial. João Barreiros é um autor que me fascina e surpreende a cada obra que leio, e embora não tenha lido praticamente mais nada de Luís Filipe Silva, conheço-o pessoalmente graças à Oficina de Escrita Fantástica da Trëma, e tenho por ele um grande respeito e admiração.

Se já namorava este livro só por ter sido escrito por João Barreiros, graças aos últimos meses o facto de também ser um livro de Luís Filipe Silva apenas serviu para me aguçar o apetite até dimensões descomunais, sem que nada do que até agora foi mencionado tenha o que quer que seja a ver com as opiniões que eventualmente vou dar mais à frente. Seriam as mesmas se me fossem autores completamente desconhecidos.

Andei com o título na mente durante meses, sempre a contar o tempo que faltava para fazer o último teste e o ir buscar à biblioteca. E assim foi: dia 20 fiz o meu último teste este ano, dando assim por terminado o 2º semestre do 2º ano, e no Sábado aproveitei a sessão da Oficina na Orlando Ribeiro para o ir requisitar.

Juro que já há algum tempo que não ficava tão excitado por ter um livro nas mãos. A ansiedade de o abrir e de o devorar era tanta, mas tanta, que nem vos passa pela cabeça.

Claro que aproveitei para mostrar o livro ao Luís e dizer-lhe que o ia ler. Ele riu-se e aconselhou-me, em traços largos (ele que diga horrores do meu conto na próxima sessão da Oficina se estiver a mentir), que devia ter juízo em vez de andar a ler estas coisas.

A única coisa que isto fez foi dar-me ainda mais vontade de ler o livro. Por nenhuma razão em especial, acho que nesse dia até a viagem de autocarro até casa me deu mais vontade de ler o livro. Eu queria era lê-lo.

Surpreendentemente não o li tão depressa quanto esperava. É um livro grande, é verdade, mas com as ânsias com que eu estava, e com o que fui gostando do livro, devia tê-lo devorado em 2 ou 3 dias, mas levei mais ou menos uma semana.

A explicação que encontro é a enorme complexidade do romance, que é de facto um romance em mosaicos, intrincado e contorcido sobre si próprio, com 5 novelas a constituírem o corpo principal da história, antecedidas por um prólogo fantástico e cativante, e seguidas de 3 alternativas finais que são, no seu conjunto, uma das formas mais curiosas e fantásticas de se acabar um livro e fechar um enredo.

Como já devem ter percebido, a história tem demasiados detalhes e é pura e simplesmente demasiado complexa para que qualquer resumo que eu vos dê lhe faça jus, mas fiquem com esta ideia: é uma luta entre várias raças alienígenas, com alguma da tecnologia tão avançada que chega a parecer magia. Um confronto entre humanos e as Potestades, com IXyitil sempre à espreita e vulpis, volpex, simulatrix, kreepos, inteligências artificiais e tantas outras raças e seres que seria tarefa inglória tentar nomeá-las.

O que interessa é que um milhar e qualquer coisa de raças foram semi-capturadas e empurradas para a Terra, selando todas essas espécies numa espécie de terrarium gigantesco. Depois há porrada, há sangue e tripas, há momentos carregadíssimos de acção, há show-off de tecnologia de ponta e um enredo extremamente complicado em que quase nada do que parece, é.

Nem vos posso revelar tanta coisa quanto isso sobre a história. Mas posso falar-vos da escrita, que é muito boa, de uma forma general. Não vou arriscar dizer que consegui ver quem é que escreveu que parte, pois não conheço suficientemente bem a escrita de nenhum dos autores, mas há claramente duas vozes a contar esta história: uma, mais brutal, rápida e directa, sem tempo nem paciência para floreados, e que desconfio ser a do João Barreiros, é a mais comum ao longo do livro; mas também se vê uma escrita mais calma, mais pausada, mais dada a ligeiras divagações, mais "bonita" em termos de estilo, e que se coaduna muito bem com a imagem que tenho da escrita do Luís Filipe Silva.

Caso ainda não tenham percebido, delirei com este livro. Foi daquelas obras para a qual eu tinha expectativas muito altas, e que não só correspondeu a tudo o que eu imaginava, como ainda ultrapassou isso tudo!

Objectivamente falando, não é o melhor livro que já li, e tem algumas falhas em termos de conjugação dos dois estilos, e de ritmo, e da forma como a informação é dada e apresentada, mas isso também faz parte das suas características.

É um livro complexo, ainda por cima com referências e homenagens (revistas Pulp? Comics?a várias outras obras de ficção científica que eu não apanhei na totalidade, de certeza, que quando tem hipótese de simplificar as coisas e deixar o leitor mais dentro de tudo o que se está a passar, faz um mortal encarpado à retaguarda e BAM!, vai-te lixar leitor, pões a mioleira a trabalhar e é se queres. Nesse aspecto é sublime.

E subjectivamente falando tenho apenas a dizer que caso alguém me pergunte qual é o meu livro favorito, finalmente sei o que responder.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Brinca Comigo!

Título: Brinca Comigo!
Autores: David Soares, João Barreiros, João Ventura, Luís Filipe Silva

Sinopse: Divirta-se, viaje e surpreenda-se com estas estórias fantásticas, forjadas na imaginação de quatro dos mais conceituados e inventivos escritores do género em Portugal, e que tiveram como ponto de partida aquele que é talvez o mais fascinante de todos os objectos: o Brinquedo. Ou haja quem nunca tenha experimentado os mundos maravilhosos que irresistivelmente se nos abrem a seus pés!

Opinião: É sempre agradável encontrar um livro à venda que já se pensava impossível de encontrar. Foi o que aconteceu com esta (abençoada feira do livro da estação de metro do Oriente) pequena colectânea de 4 contos, que inclui 2 dos meus escritores favoritos: João Barreiros e David Soares.

Não quero desprezar os outros dois autores, atenção. Só que de João Ventura não conheço quase nada, e apenas recentemente tive noção de quem era o Luís Filipe Silva, co-autor do Terrarium, que ainda tenho que encontrar, juntamente com o João Barreiros, e de outras histórias de ficção científica, editor de antologias e tradutor, além de outras actividades dentro da literatura, especialmente da ficção científica.

Interessante, mas quer dizer, João Barreiros! David Soares! Alguém que acompanhe as minhas opiniões deve ter noção do fascínio que tenho por estes 2 escritores. Mas vou tentar não descair muito para o lado de fã excitadinho.

Ora bem, o primeiro conto é precisamente Brinca Comigo!, que dá o título à antologia. É um conto interessante que eu já tinha lido em Se Acordar antes de Morrer, sobre um futuro distópico em que os brinquedos se agregaram numa Horda em busca de um alvo final. O ambiente é negro, a história é negra e as personagens são brinquedos... Foi para mim o melhor conto destes 4, digam lá que não estão interessados?

Passando a David Soares, o que é que acham que se pode esperar de Um erro do Sol? Definitivamente o conto mais estranho, sangrento e perturbador. Este homem escreve Horror com H bem grande. Tudo começa de forma muito inofensiva, com um brinquedo estranho, e descamba de forma bastante.... à là Soares, ainda que ligeiramente previsível. Se isso significa que este conto classifica este livro como "de certeza não aconselhado para estômagos fracos"? Completamente.

Mas para descansar um pouco, aparece A Boneca, de João Ventura, o conto que achei mais fraquinho. É interessante e a escrita não é má, mas pareceu-me ligeiramente banal e confuso. Uma história de voodoo ao longo de um período de tempo bastante alargado, e que serve como motor de uma (não tão) ligeira crítica social e isso tudo, mas enfim. Nada de especial.

Por fim, Não é o que ignoras o motivo da tua queda mas o que pensas saber, de Luís Filipe Silva, foi das coisas mais curiosas que li nos últimos tempos. A história base não é propriamente nova, uma invasão de extraterrestres, a forma como se lida com isso é que me pareceu bastante diferente do habitual. Estes extraterrestres são muito sossegados, muito calminhos, mas completamente implacáveis e imparáveis. E é óbvio que são vencidos, de forma bastante curiosa. Ou não.

Resumindo, apesar de ser um livro pequeno, Brinca Comigo! é uma leitura bastante interessante, que tirando o conto do João Ventura, tem apenas contos de muita, muita, muita qualidade, de escritores com muita, muita, muita qualidade, que raramente desiludem ou que prometem muito: João Barreiros, David Soares e Luís Filipe Silva. Não é, no entanto, um livro que seja lá muito aconselhado a toda a gente... Tem David Soares, e é sempre preciso algum estômago para digerir algo que ele escreva, não é verdade? Considerem-se avisados.

P.S.: Este livro deve ter a capa mais perturbadora de sempre.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Verdadeira Invasão dos Marcianos

Título: A Verdadeira Invasão dos Marcianos
Autor: João Barreiros

Sinopse: Estamos em 1902, cinco anos depois da malograda Invasão Marciana que quase destruiu por completo o nosso planeta. Para responder ao assalto, a Europa, Rússia e Estados Unidos formaram o mais gigantesco complexo militar-industrial da história da humanidade. Missão: ocuparem Marte e mostrarem aos marcianos sobreviventes quanto custa atacar traiçoeiramente a espécie humana. O Exército de Intervenção Terrestre apresta-se agora a penetrar na atmosfera do planeta inimigo e desferir o golpe fatal. E, claro está, aproveitar-se de todas as inovações tecnológicas que possam ser recuperadas das ruínas da civilização marciana. Num dos cilindros de assalto, os jornalistas Jules Verne e H.G.Wells, não sabem o que fazer. Ainda por cima naufragaram no hemisfério sul do planeta a milhares de quilómetros do local de poiso do exército terrestre, junto a uma pirâmide que parece conter terríveis segredos. As perguntas parecem não ter resposta: Porque se suicidaram todos os marcianos? Que criaturas sã essas, os Priiiiiks, espécie de avestruzes inteligentes que teriam sido escravizadas pelos polvos? Principalmente, quem é esse sinistro Dr. Herbert Goodfellow, adorado pelos polvos como um Deus e cujo fantasma parece assombrar a pirâmide? Verne e Wells vão tentar resolver o mistério. Infelizmente a resposta só virá cento e cinquenta anos mais tarde. Quando a Terra for invadida, de uma vez por todas, por centenas de extraterrestres bem-pensantes.

Opinião: João Barreiros é um daqueles autores que eu descobri não sei bem como, mas que não me podia ter deixado mais feliz. A partir do momento em que descobri que havia pelo menos um autor português a escrever ficção científica com pés e cabeça, e que já o fazia há algum tempo... A minha confiança no nosso país foi mais ou menos restaurada.

Além disso, se alguém me vier dizer que os escritores portugueses só escrevem dramalhões e histórias trágicas e intensas, para além de lhe atirar com um livro aleatório do Eça à cabeça, mostro-lhe João Barreiros. Ficção científica pura e dura. Com humor negro. Este livro em particular até corresponde ao preconceito que a maior parte das pessoas tem, relativamente a este género: naves espaciais, brincadeiras temporais, extraterrestres e afins.

Mas não se preocupem, potenciais leitores interessados, esta história, ou melhor, estas, são tudo menos clichés. São duas histórias que no fundo são a mesma, como o autor explica no prefácio. E esta história é simplesmente espectacular. Para começar, tem as seguintes personagens principais: Jules Verne, H.G.Wells, Edgar Rice Burroughs, Moreau e John Carter. Estes foram os que eu reconheci, sendo que os primeiros três são autores bastante famosos (até parece que preciso de os apresentar...), o segundo é uma personagem de um livro de Wells e o terceiro uma personagem de uma série de livros de Burroughs. Homenagens à ficção científica que bastante me agradaram. E depois ainda são mais qualquer coisa. Quão mais espectacular podem querer que isto seja?

É que além de um conjunto de personagens deste calibre, a história está recheada de um humor mordaz, frio e por vezes maldoso. E ainda nem sequer falei na forma magistral como as histórias estão escritas. Elas complementam-se. No fundo são duas faces da mesma moeda. Mas não só. São também duas histórias independentes, que valem por elas próprias.

Ou seja, é mais um que adorei, mais um autor português espectacular, que entra na minha categoria pessoal de "Capaz de Rivalizar Com Grandes Nomes Mundiais". Tive muita sorte em ter encontrado este livro, quase dado, é tudo o que vos digo...

domingo, 18 de julho de 2010

Se Acordar Antes de Morrer


Uma colectânea de contos de Ficção Científica... de um autor português!

Primeiro pensamento: os deuses editoriais devem estar loucos!

Segundo pensamento: os autores portugueses são mais de lamechices, filosofices e reflexões... o que é que irá sair daqui?

Terceiro pensamento: que se lixe, vou mas é ler!

E agora que li... WOW! Não fossem as referências a Lisboa e afins, eu nunca acreditaria que o autor é português.

É que isto é FC a sério, não tem historietas com pistolas laser (bem, tem pistolas laser... mais ou menos. Mas não só!), é pure hardocre Sci-Fi.

Ainda por cima contos. Contos! Num meio onde já só se publicam sagas, ou sagas condensadas num único e gigantesco volume, aparece uma colectânea de contos, essa forma de escrita tão sub-apreciada...

Ainda por cima João Barreiros fá-lo com mestria relativa. Quer a parte do conto, quer a parta da FC. E só ali tenho o "relativa", pois o autor usa e abusa dos palavrões técnicos, que podem dificultar a leitura (e tudo o que é demais enjoa), apesar de ser compreensível... Afinal, é FC!

Quanto aos contos em si, espantou-me a originalidade fora do comum... Uma Horda de brinquedos à procura de alguém que brinque com eles; uma brilhantíssima homenagem a H.P.Lovecraft; a evolução levada ao extremo; gatos modificados para serem assassinos... Há de tudo!

Até uma infeliz crítica, no meio de outras muito bem feitas. O autor critica a sociedade, critica a educação (de forma particularmente eficaz), e... critica a Fantasia. O doloroso "Fantascom" custou a ler... E não digo isto por ser fã confesso deste género, mas porque esta crítica borda o insulto a Filipe Faria, a todos os autores e leitores de Fantasia, bem como ao próprio género!

E eu gosto de criticar, mas insultar desta maneira... vamos lá ter calma, sim?

Bem, tirando isso, adorei. Verdadeira FC, com uma escrita simples (tirando a linguagem técnica) e directa, genuinamente portuguesa, e recheada de ideias geniais, desenvolvidas por uma imaginação fora do comum...

Quarto pensamento: onde é que encontro mais coisas deste homem?