sábado, 18 de janeiro de 2014

Estantes Emprestadas [1]: Literatura Grunge [1/2]


Sejam bem-vindos à primeira parte da primeira crónica convidada, escrita pelo meu amigo, colega, e habitual parceiro no crime, Jorge Martins, do Metáfora de Refúgio. O que vos posso dizer sobre este tipo, é que é tão louco como eu, embora de maneira diferente. A ideia para esta crónica surgiu de forma bastante simples: tanto a música como a literatura são duas das coisas que fazem o Jorge delirar, e dentro da música tem uma paixão enorme pelo grunge e uma admiração ligeiramente obsessiva pelo Kurt Cobain. Ou talvez seja ao contrário, nunca sei.
O importante é que misturar as duas coisas é o mais óbvio. E portanto pedi-lhe para investigar/pensar um pouco sobre literatura grunge, ou seja, um movimento ou estilo literário que tenha algum tipo de paralelo com o movimento grunge na música. Ele aceitou o desafio com entusiasmo (e foi o primeiro das pessoas a quem convidei a despachar o assunto) e o resultado, bastante interessante, é o que podem ler a seguir. A segunda parte aparece daqui a uma semana!
P.S.: as imagens fui eu que escolhi, que o Jorge é demasiado preguiçoso.

Livros e cd’s na mesma prateleira

Se há uma coisa no mundo que seja realmente imprescindível para toda e qualquer vida humana, será a música: pela sua capacidade de despertar emoções que nem julgávamos possuir, pelo seu poder de “intelectualização”, pela sua variedade e riqueza nos géneros e sub-géneros e sub-sub-géneros e etc que apresenta, pelo carisma de alguns dos seus maiores protagonistas, entre muitas outras coisas.
Por outro lado, se há uma coisa no mundo que seja realmente imprescindível para toda e qualquer vida humana, será a Literatura: pelas ligações estabelecidas com aquela personagem em especial, pela capacidade de transporte para mundos maravilhosos, pelas mensagens importantes e reflexivas que transbordam por páginas sem fim, entre muitas outras coisas.
Assim sendo, tanto o poder que tem origem nas notas tocadas ao de leve numa corda de nylon como aquele que resulta do incessante martelar num teclado gasto são essenciais para o conceito supremo de arte, de cultura e, acima de tudo, de Vida como deve ser; mas à partida não parecem capazes de co-existir, e não seria isso um problema?
Pois vejam, caso se substituísse Literatura ou Música por outra actividade artística, como Cinema, por exemplo, não teríamos essa questão; inúmeros filmes que são acompanhados por uma banda-sonora tremenda (ou os videoclips, que servem para dar vida a “milhentas” melodias), ou que revelam uma devoção obsessiva no argumento que resulta numa história exemplar, que poderia ter saído da pena de um qualquer escritor de referência.
Tudo isso mostra que duas formas de arte não têm de ser obrigatoriamente exclusivas entre si; mas como relacionar notas com palavras? Compassos com parágrafos? Ou, simplesmente, música com livros?
Este é um tema que daria pano para mangas, sobretudo pela riqueza e diversidade existente quer nos diversos géneros literários, quer nos musicais, daí que eu me vá cingir a falar de um caso que me é mais familiar e do qual sei mais, que é o caso do grunge.
E que é isso do grunge? Pois bem, mesmo que não reconheçam o nome, se já ouviram falar de punk, de Geração X, ou pura e simplesmente, de Nirvana, já ouviram falar de grunge.
História do Grunge
Este foi um movimento originado nos EUA no final da década de 80, mais concretamente em Seattle, onde miúdos na casa dos 20 anos estavam ocupados a serem... Bem, a serem adolescentes, ou seja, a exprimirem-se através de libertações intermitentes de raiva, melacolia e hormonas.
Só que eles tinham um problema; o movimento normalmente associado à angústia adolescente, o punk, estava agora longe da agressividade dos anos 70, que deu origem a porta-estandartes da revolução como Johnny Rotten. A verdade é que, nos anos 80, o punk estava “corporatizado”, ou seja, vendido ao eterno inimigo do povo, o “Sistema” sem cara e sem nome.
Depois de aparecerem os Joy Division, o punk deixou de ser sobre gritos de raiva e de contestação e passou a ser sobre depressão minimalista e fumos agridoces de erva queimada e fumada (dando origem ao movimento gótico e deixando raízes para o emo despontar).
Assim sendo, os miúdos do final dos anos 80/início dos anos 90 não tinham um escape para os seus sentimentos de adolescente, visto que o movimento principal da altura, para além do omnipotente disco sound, era o glam, território do louro oxigenado, permanentes e licra.
Desta forma, pelo “amolecimento” do punk, mas influenciado por este (e pela cultura do Metal, que nesta altura também parecia eternamente estagnada), forjou-se o grunge, movimento mais importante dos anos 90, que atingiu o seu apogeu em 1991 e começou o declínio a partir de 1994, após o suicídio do seu mártir/líder, Kurt Cobain, vocalista e guitarrista dos Nirvana.
(continua)

2 comentários:

Ana/Jorge/Rafa/Júlia disse...

Wooooooooooo published author :P

Jorge

Rui Bastos disse...

Oh oh, calm down man xD